sábado, 16 de fevereiro de 2008

Elizabeth: A Era de Ouro

Título original: Elizabeth: The Golden Age
País: Reino Unido/França
Ano: 2007
Gênero: Drama
Duração: 114 min
Direção: Shekhar Kapur
Elenco: Cate Blanchett, Clive Owen, Geoffrey Rush, Tom Hollander, Abbie Cornish, Samantha Morton, Eddie Redmayne e Jordi Mollà.

Sinopse: em 1585, a Espanha é o maior império graças ao sucesso que tem colonizando o Novo Mundo. O país inicia uma guerra santa para difundir o catolicismo, planejando matar a rainha inglesa Elizabeth I (Cate Blanchett), protestante, para que Mary Stuart (Samantha Morton), rainha escocesa, assuma o trono. Ao mesmo tempo em que a monarca inglesa tem de lidar com as ameaças ao trono, ela precisa resolver sua solidão, acentuada pela chegada do aventureiro Sir Walter Raleigh (Clive Owen) à corte.
Crítica: ao vermos a película, a impressão que se tem é de algo faltou à narrativa. Sucedendo ao filme Elizabeth (de 1998), que tratava da consolidação da Rainha Virgem na coroa inglesa (período menos conhecido de sua biografia), essa segunda versão diz respeito ao período áureo e
mais popular de seu governo, quando ela impôs uma notável derrota à maior armada naval do mundo naquele momento – a armada espanhola – e legitimou a liberdade religiosa no país.
Infelizmente, os problemas do filme original mantiveram-se e alguns até se acentuaram. Não há harmonia entre história e ficção.
Elizabeth é uma mulher mais madura e aparentemente acostumada com os exercícios do poder. Seus inimigos são mais nítidos agora. Ela tem de enfrentar a resistência dos católicos que teimam em não aceitá-la como rainha – por ser simpatizante do protestantismo e filha ilegítima de Henrique XVIII – e apóiam a ascensão de sua prima Mary Stuart ao trono. Soma-se a isso o confronto político com a Espanha e têm-se um momento histórico fervilhante em intrigas, convulsões populares, golpes e batalhas.
Fidelidade histórica não é obrigatória em um longa, mas ajuda. Um exemplo aqui é a disparidade quanto à idade dos protagonistas. Elizabeth assumiu o trono inglês aos 25 anos e, se são retratados episódios de seu 27º ano de governo, sua idade no filme seria, então, de 52 anos, o que não é que aparenta o semblante de Cate Blanchett. E, segundo dados históricos, no ano em que se passa o filme, Sir Walter Raleigh (Clive Owen), que irá encantá-las com as aventuras de suas viagens pelo mundo, teria apenas 19 anos, o que torna-se impossível de convencer.
Porém, dilatações, compactações, movimentos no tempo, exclusão de determinadas passagens e até inserção de algumas novas são recursos disponíveis e aceitáveis. O problema maior é distorcer a história a ponto de contradizê-la. Cria-se, nesse filme, uma ficção maniqueísta e melodramática que minimiza a história e, por consequência, a própria figura de Elizabeth I.
Cate Blachett ainda segura as pontas na sua interpretação, equilibrando as duas Elizabeths: a pública, acostumada com os entediantes compromissos e adulações e com as pesadas obrigações, e a Elizabeth da intimidade, carente, mas crítica e reflexiva sobre a sua condição. Ao fundir essas duas metades, Blanchett mostra seu maior empenho, em instantes em que a rainha deixa que se quebre a parede de vidro entre ela e as demais pessoas e, também, quando, mesmo se desmanchando em fragilidade, seu ar de superioridade ainda se faz notar.
Mas o roteiro em si não convence, são falatórios intermináveis sem colaboração para o crescimento da narrativa. Clive Owen, como Raleigh, está péssimo, o típico herói aborrecido. Difícil crer que a rainha Elizabeth se interessasse por ele.
E, em alguns momentos, a rainha, em virtude do roteiro mal conduzido, age de forma infantil, o que não condiz com os livros de história.
Temos que reconhecer a beleza dos cenários opulentos, vistosos, coloridos; e dos momentos das batalhas navais, bem reconstituídos.
Só que isso não é suficiente para romper com a sensação de que algo ali foi conduzido erroneamente.
Curiosidade: conquistou o Oscar de Melhor Figurino em 2008.
Avaliação: ***

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sábado, 9 de fevereiro de 2008

Juno

Título original: Juno
País: EUA/ Canadá
Ano: 2007
Gênero: Comédia
Duração: 96 min
Direção: Jason Reitman
Elenco: Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Aman Johal, Valerie Tian, Daniel Clark, Rainn Wilson, Darla Vandenbossche, Eileen Pedde, Jason Bateman, Allison Janney, J.K. Simmons e Olivia Thirlby.

Sinopse: Juno MacGuff (Ellen Page) é uma jovem de 16 anos que acidentalmente engravidou de Paulie Bleeker (Michael Cera), um grande amigo com quem transou apenas uma vez. Inicialmente ela decide fazer um aborto, mas ao chegar na clínica muda de idéia. Junto com sua amiga Leah (Olivia Thirlby) ela passa a procurar em jornais um casal a quem possa entregar o bebê assim que ele nascer, já que não se considera em condições de criá-lo. É assim que conhece Vanessa (Jennifer Garner) e Mark (Jason Bateman), um casal com boas condições financeiras que está disposto a bancar todas as despesas médicas de Juno, além de dar-lhe uma compensação financeira caso ela queira.
Crítica: Juno não é uma garota comum, assim como sua família. Ela é esperta e madura demais para sua idasde. E seu pai e sua madrasta, após o choque de descobrirem que ela está grávida, decidem apoiá-la na sua decisão. Uma família em harmonia numa hora como essa é difícil de encontrar.
A história da adolescente grávida poderia ser apenas mais um filme bobo, mas Juno tem um ângulo diferente de abordar o assunto e o elenco sai-se muito bem frente às câmeras.
Com o passar das estações, as mudanças físicas de Juno refletem seu crescimento pessoal, e com uma capacidade de compreensão muito diferente das angústias de uma adolescente comum, Juno acaba enfrentando seus problemas de cabeça erguida, mostrando uma juventude inesperada, exuberante e inteligente.
O roteiro trata da questão de uma maneira mais natural que o comum, contudo amarra-se muito bem à descoberta de sentimentos e relações interpessoais, além de aprofundar de uma maneira realista cada personagem, alcançando maior dramaticidade. Sendo o gênero do filme uma comédia, o humor também se mantém, com piadas cômicas, perspicazes e rápidas, que tiram risos do espectador.
Não é um merecedor de Oscar, mas uma obra que merece aplausos pela abordagem inovadora na fase da adolescência, em que a passagem para a vida adulta não é fácil.
Curiosidade: vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original, em 2008.
Avaliação: ***

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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Onde os Fracos Não Têm Vez

Título original: No Country for Old Men
País: EUA
Ano: 2007
Gênero: Drama
Duração: 122 min
Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, Kelly Macdonald e Garret Dillahunt.

Sinopse: Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém, para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).
Crítica: uma enorme sombra negra avança sobre a paisagem seca do Texas. Assim começa o filme, um prenúncio da tempestade que virá. Cenas brilhantes, falas inspiradíssimas e atuações impressionantes denotam a excelência no trabalho de direção dos Cohen, que conseguem inovar no gênero drama. As perseguições que nunca cessam, com quase nenhum fundo musical e totalmente desapressadas, transbordam tensão e expectativa. Um roteiro tão bem feito chega ao seu ápice no final do filme. Excelente!
Curiosidade: vencedor de quatro Oscars em 2008: Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (Javier Bardem) e Roteiro Adaptado.
Avaliação: ****

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