segunda-feira, 22 de março de 1999

Deuses e Monstros

Título original: Gods and Monsters
País: EUA
Ano: 1998
Gênero: Drama
Duração: 105 min
Direção: Bill Condon
Elenco: Ian McKellen, Brendan Fraser, Lynn Redgrave, Lolita Davidovich, David Dukes, Mark Kiely, Kevin J. O'Connor, Jack Plotnick, Rosalind Ayres, Jack Betts, Matt McKenzie, Todd Babcock e Cornelia Hayes O'Herlihy.

Sinopse: em 1957, James Whale (Ian McKellen), um diretor homossexual que fez sucesso nos anos 30 com seus filmes de monstros (principalmente Frankenstein), volta para casa, após se recuperar de um derrame. Sentindo-se solitário, ele passa a contar suas experiências para o seu musculoso jardineiro (Brendan Fraser), um ex-fuzileiro naval na Guerra da Coréia, que, conhecendo as preferências sexuais do patrão, tem dúvida sobre os seus verdadeiros interesses. Mesmo assim a amizade cresce e, simultaneamente, o jardineiro é pago para posar para ele, pois agora o diretor é um pintor diletante. Estes acontecimentos ocorrem sob os olhares vigilantes da sua governanta (Lynn Redgrave) que pretende evitar que o jovem seja envolvido. Mas algo inesperado está para acontecer.
Crítica: uma trama interessante, envolvente e bem conduzido. O roteiro é inteligente e os personagens principais são um espetáculo à parte. Brendan Fraser faz uma interpretação mesmo surpreendente, nada estereotipada.
O filme é sensível e recupera, com bastante integridade, a biografia desse grande mestre do cinema de terror. A história, que funde a narrativa com os roteiros dos filmes dirigido por James Whale, serve a um duplo propósito: revelar o verdadeiro teor contido nos diálogos do Frankstein e traduzir o emaranhado de sentimento pelos quais seu diretor enfrentava na relação com a sociedade.
Apesar de em algumas partes ser um pouco mais lento, vale a pena assisti-lo.
Curiosidade: vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado (1999).
Avaliação: ***

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quarta-feira, 17 de março de 1999

Truman – O Show da Vida

Título original: The Truman Show
País: EUA
Ano: 1998
Gênero: Drama
Duração: 102 min
Direção: Peter Weir
Elenco: Jim Carrey, Laura Linney, Ed Harris, Noah Emmerich, Natascha McElhone e Holland Taylor.

Sinopse: o vendedor de seguros Truman Burbank (Jim Carrey) tem todos os momentos da sua vida capturados por câmeras escondidas. Tudo é televisionado para uma audiência gigantesca, sem que ele saiba. Seus amigos e sua família são atores que lhe sorriem agradavelmente. Tudo não passa de uma farsa, incluindo a cidade onde vive e seu casamento com Meryl (Laura Linney). Aos 30 anos, Truman desconfia que há algo estranho em seu mundo, percebe que está preso num grande esquema que cerceia sua liberdade e tenta fugir.
Crítica: o filme (vencedor de 3 Globos de Ouro) é um questionamento sobre os limites de invasão da privacidade e, também, uma sátira à persuasiva manipulação da mídia.
Possui um roteiro bem elaborado e original, fazendo uma crítica ao modo de vida moderno onde as pessoas dão maior valor à vida alheia. Um mundo em que a vida particular
é relegada a segundo plano, e em que as pessoas estão mais solitárias e infelizes.
Aqui, Jim Carrey deixa de lado o humor pastelão e atua, com maestria, em um papel dramático. Tanto que recebeu, em 1999, o Globo de Ouro de Melhor Ator.
Avaliação: ***

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999

Além da Linha Vermelha

Título original: The Thin Red Line
País: EUA
Ano: 1998
Gênero: Ação, drama, guerra
Duração: 170 min
Direção: Terrence Malick
Elenco: Sean Penn, James Caviezel, Nick Nolte, Ben Chaplin, George Clooney, John Cusack, Woody Harrelson, Jared Leto, John Travolta, John C. Reilly, Elias Koteas, Adrien Brody, Thomas Jane, Dash Mihok, Tim Blake Nelson, John Savage, Kirk Acevedo, Larry Romano e Nick Stahl.

Sinopse: durante a Segunda Guerra Mundial, fica claro que o resultado da batalha de Guadalcanal influenciará fortemente o avanço japonês no Pacífico. Então um grupo de soldados americanos é enviado para lá para ajudar as unidades já em batalha. Porém, os soldados conhecem o verdadeiro terror da guerra, mas no meio desse desespero surgem fortes laços de amizade.
Crítica: logo no início do filme, colocações filosóficas sobre a vida, sobre o sentido de viver, sobre as lutas da natureza são feitas por um narrador em meio à guerra.
A palavra ‘linha’ constante no título em português refere-se ao limite entre a sanidade e a loucura que o filme aborda com extrema propriedade.
A fotografia é esmerada. As tomadas são calmas e tranqüilas, não muito ao estilo de Hollywood – exceto as de batalha. O elenco é de primeira.
A ação transcorre na Segunda Guerra. A famosa Companhia Charlie é enviada a conquistar uma posição japonesa em Guadalcanal (um campo de pouso que serviria de apoio logístico nas comunicações entre Austrália e América). Já se sabe quem vence, mas o final não é propriamente hollywoodiano.
Sobressai o ego inescrupuloso do coronel interpretado por Nick Nolte, que objetiva agradar superiores. Como contraponto, o capitão que se sente responsável por seus soldados, que reluta em mandá-los para a morte e que se nega a cumprir uma ordem suicida.
Há flashbacks aparentemente inócuos, porém, que se encaixam no roteiro quebrando a dureza da guerra com cenas mais poéticas, lembrando que em outros lugares há vida. Há cortes para cenas da natureza, como que a dizer que esta segue seu ciclo normalmente, apesar de tantas guerras e batalhas.
Os soldados têm medo e cólicas, rezam, vomitam e enlouquecem. Não morrem de repente, agonizam. Alguns estão ali não para guerrear, mas por obrigação. Nada parecidos com os heróis de ‘O Resgate do Soldado Ryan’.
Foi retratada de maneira muito crível a dominação dos japoneses e sua humilhação. Não a humilhação imposta pelo vencedor, e sim a sentida pela perda da batalha.
A indiferença inicial dos nativos em relação à guerra que transcorre ao seu lado é bem explorada, sobretudo numa cena em que o exército americano se dirige ao seu objetivo e encontra um deles que segue imperturbável. Tal comportamento causa surpresa.
Mas isso muda quando um dos soldados volta ao vilarejo e percebe, perplexo, que a guerra corrompeu os nativos que, agora, brigam entre si. Crianças que brincavam foram contaminadas por doenças e têm medo dele.
É o horror, a destruição, a morte, tudo bem distante da paz.
O filme, talvez, só não tenha agradado a todos por não ser tão violento, por questionar mais o porquê de causar mais mortes e sofrimento e, também, por ser bem extenso.
Avaliação: ***

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