quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Corações Sujos


País: Brasil
Ano: 2011
Gênero: Drama
Duração: 90 min
Direção: Vicente Amorim
Elenco: Tsuyoshi Ihara, Takako Tokiwa, Issamu Yazaki, Eiji Okuda, Shun Sugata, Kimiko Yo, Celine Miyuki e Eduardo Moscovis.

Sinopse: um filme sobre intolerância, fundamentalismo, racismo e amor, baseado no bestseller de Fernando Morais e passado no interior de São Paulo logo depois da Segunda Guerra Mundial. Ele conta a história do imigrante japonês Takahashi (Tsuyoshi Ihara), dono de uma pequena loja de fotografia, casado com Miyuki (Takako Tokiwa), uma professora primária. Inspirado em fatos reais, Corações Sujos nos mostra a transformação de Takahashi de homem comum em assassino, enquanto sua mulher luta contra o destino, tentando em vão salvar seu amor em meio ao caos e à violência.

Curiosidade: baseado no livro homônimo de Fernando Morais, sobre um capítulo pouco conhecido e bastante sangrento da história da imigração japonesa no país. O elenco é liderado por japoneses, e o filme será 70% falado em japonês.

Crítica: eu aguardei com ansiedade o filme “Corações Sujos”, mas o que prometia ser não foi. Em vez de grandioso, já que se baseava no excelente livro de Fernando Morais (sustentado em ampla pesquisa e abordando diferentes épocas, histórias e personagens), é um filme pequeno, singelo e sem impacto. Inúmeras situações poderiam ser exploradas, mas o diretor optou por resumir o drama vivido pelos imigrantes japoneses no Brasil do pós-Segunda Guerra se concentrando em dois personagens centrais: Takahashi (Tsuyoshi Ihara, de Cartas de Iwo Jima) e Miyuki (Takako Tokiwa, famosa atriz da TV japonesa).
Takahashi é dono de uma pequena loja de fotografia no interior de São Paulo e casado com Miyuki, uma professora primária. A história mostra a transformação de um homem comum em assassino, enquanto sua mulher luta contra o destino, tentando em vão salvar seu amor em meio ao caos e à violência. Por trás disso se desenrola a história maior, do Brasil pós-Guerra, onde a imensa população de imigrantes japoneses era reprimida pelo Estado e formada por gente de pouca instrução. Cenário onde surgem organizações alimentadas pela ignorância, dedicadas a divulgar a “verdade” da vitória do Japão na guerra e a reprimir e assassinar os “derrotistas”, apelidados pejorativamente de “corações sujos”. Takahashi reluta, mas acaba se tornando membro de uma dessas gangues. A escolha feita por ele, em nome do Espírito Japonês, mudará para sempre sua vida e a de Miyuki.
O filme tem boa direção de arte, bela fotografia e conta com um elenco de atores orientais de peso. Aliás, com melhores atuações do que a dos poucos brasileiros que estão no longa.
Mas ao final da sessão, tem-se a impressão de que faltou algo. A história é mal desenvolvida devido a um roteiro com falhas. Excedeu-se na preocupação com a parte estética e esqueceu-se do básico: o conteúdo. No balanço geral, pode-se dizer apenas que é uma obra razoável.

Avaliação: **

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Nunca sem Minha Filha (Not Without my Daughter)


País: EUA
Ano: 1991
Gênero: Drama
Duração: 116min
Direção: Brian Gilbert
Elenco: Sally Field, Alfred Molina e Sheila Rosenthal.

Sinopse: baseado em fatos reais, mostra a história verídica de Betty Mahmoody (Sally Field). Ela é casada com um médico iraniano (Moody, vivido por Alfred Molina) e vive há vinte anos nos Estados Unidos. Numa viagem de férias ao Irã, junto com a esposa e a filha, o médico revela sua verdadeira personalidade. Convertido ao islamismo, ele fará de sua esposa uma prisioneira que manterá sob o seu poder.

Crítica: a trama comove e emociona o público, pela história em si e pelas boas atuações de Sally Field e Molina.
A luta e a coragem de Betty são contagiantes. A direção aposta na riqueza de detalhes e nos momentos de suspense e apreensão. Sem dúvida, uma bela adaptação.

Curiosidade: o filme é baseado no livro homônimo de Betty Mahmoody e William Hoffer, que conta como Betty e a filha ficaram dezoito meses impedidas de sair do Irã. O roteiro foi adaptado por John W. Winters. Foi filmado na moshav de Neve Ilan, em Israel e em Atlanta, Geórgia.

Avaliação: ***

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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Quem se importa?


País: Brasil
Ano: 2011
Gênero: Documentário
Duração: 90 min
Direção: Mara Mourão
Elenco: narrado por Rodrigo Santoro

Sinopse: um documentário sobre empreendedores sociais no Brasil e ao redor do mundo. Pessoas brilhantes que criaram, cada qual, uma organização inovadora capaz de não só mudar a sociedade ao seu redor, mas também causar impacto social suficiente para que estas ideias possam virar políticas públicas aplicadas em várias partes do mundo. Um filme que, através de cada um de seus personagens, vasculha o mundo atrás de pessoas magníficas que oferecem simples soluções para as mais graves questões que nos afetam profundamente. O filme conta com grandes nomes internacionais do Empreendedorismo Social como Muhammad Yunus (Nobel Paz 2006), Bill Drayton, Mary Gordon, entre outros.

Crítica: Mara Mourão, diretora do excelente documentário Doutores da Alegria, lança mais um filme para quem acredita que pode mudar o mundo.
Começa-se por definir o que é ser um empreendedor social. Além do depoimento do inventor e grande disseminador do empreendedorismo social: o fundador da Ashoka (instituição com tem mais de 2.700 seguidores e presente em 70 países), Bill Drayton, muitos empreendedores no Brasil e no mundo são apresentados e um a um falam sobre como receberam apoio e colocaram em prática suas ideias.
Relatam o que fizeram e o que estão fazendo para tornar seus sonhos uma realidade de muitos. São exemplo de pessoas que com pequenas ou grandes ações transformaram a vida de uma comunidade com ousadia e criatividade, gerando resultados incríveis a longo prazo.
Os exemplos são emocionantes e não há como não se comover e sair do filme com um sinal de esperança no futuro.
Os depoimentos, as imagens, a rica quantidade de material de arquivo mostrado denotam o exemplar trabalho de pesquisa.
Um aspecto interessante é o bom uso de animações tanto na abertura como no decorrer do longa, ilustrando algumas das histórias contadas pelos empreendedores sociais, o que dá leveza ao documentário.  
Os exemplos emocionantes são muitos pelo mundo todo: criação do microcrédito pelo bengalês Muhammad Yunus, Nobel da Paz em 2006; o banco Palmas, uma prática de Socioeconomia Solidária no Conjunto Palmeira, bairro popular de 32 mil moradores, em Fortaleza (CE), que criou a moeda social “palmas” que circula no comércio local; o trabalho de educação no Canadá com crianças desde o berçário incentivando a convivência com o próximo a fim de romper com quaisquer preconceitos; o sistema de ajuda judiciária no Camboja e na China onde pessoas são presas e torturadas sem julgamento; o menino canadense que juntou dinheiro através da internet para levar água potável para uma tribo na África; um monge belga que treina ratos para identificar minas terrestres e também a tuberculose; a experiência dos doutores da alegria nos hospitais do Brasil; um centro criado no Canadá para ajudar portadores de necessidades especiais que após a morte de seus pais ficariam sem qualquer assistência; entre tantos outros.
Sem dúvida, um trabalho gratificante para a diretora e estimulante para nós, público.

Avaliação: ****

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