quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Histórias que Só Existem Quando Lembradas


País: Brasil
Ano: 2012
Gênero: Drama
Duração: 98 min
Direção: Júlia Murat
Elenco: Sonia Guedes, Lisa E. Fávero, Luiz Serra, Ricardo Merkin, Antonio dos Santos, Nelson Justiniano, Maria Aparecida Campos, Manoelina dos Santos, Evanilde Souza, Julião Rosa, Elias dos Santos e Pedro Igreja.

Sinopse: Jotuomba é um pequeno vilarejo em que ninguém morre há muito tempo e o cemitério está trancado com cadeado. Cada morador cumpre sua função e assim seguem os dias. Madalena (Sonia Guedes) faz pão para o armazém do Antônio (Luiz Serra). Como todos os dias, ela atravessa o trilho, onde o trem já não passa há anos, limpa o portão do cemitério trancado, ouve o sermão do padre e almoça com os outros velhos habitantes da cidade. Vivendo da memória do marido morto, Madalena é acordada por Rita (Lisa E. Fávero), uma jovem fotógrafa que chega na cidade fantasma de Jotuomba, onde o tempo parece ter parado.

Crítica: um vilarejo fictício do Vale do Paraíba, estacionado no tempo é onde a estreante Júlia Murat (filha da também cineasta Lúcia Murat) ambienta sua história que contrapõe velho e novo, passado e futuro, tradição e modernidade.
Para quebrar a rotina do local onde tudo está morrendo chega a fotógrafa Rita, jovem e sem destino que conhecerá aos poucos os moradores do vilarejo.
Madalena (personagem principal) é viúva, faz pão para o armazém de Antônio, caminhando por trilhos onde o trem já não passa há anos, limpa o portão do cemitério onde não se enterra mais ninguém, vai à missa e almoça todos os dias com os outros 9 habitantes. À noite, escreve cartas saudosas ao marido, palavras que ele nunca lerá.
Rita tenta desvendar aquele lugar com as fotografias e, por sinal, belíssimas, todas em preto e branco.
O roteiro é ótimo e é sutil ao tratar da morte, do medo de envelhecer. A comunicação é mais visual e simbólica, os diálogos são escassos, o que não impede que a mensagem chegue clara ao espectador. Um pouco mais de dinâmica seria bem-vinda à história, acrescentando mais informações sobre o passado de Madalena, por exemplo, que ama e sente muita falta do marido que se foi.
O trabalho deve ser conferido. Alternativo, na medida certa. Uma estreia promissora para a cineasta.

Avaliação: ***

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E se vivêssemos todos juntos?(Et si on vivait tous ensemble?)


País: França/Alemanha
Ano: 2011
Gênero: Comédia
Duração: 96 min
Direção: Stéphane Robelin
Elenco: Guy Bedos, Daniel Brühl, Geraldine Chaplin, Jane Fonda, Claude Rich, Pierre Richard, Bernard Malaka, Camino Texeira, Gwendoline Hamon, Shemss Audat, Gustave de Kervern e Laurent Klug.

Sinopse: cinco amigos septuagenários decidem morar juntos.

Crítica: a sinopse é atraente, a premissa é boa e o assunto tem sido tema de vários filmes, mas na prática não funcionou.
Com raras cenas engraçadinhas, a trama se arrasta e a história que poderia ser interessante torna-se chata. A trama não segue, não atrai, não cresce. Os personagens não convencem, não condizem com a mensagem que o filme tem a passar.
A direção errou na escolha dos atores (com exceção de Geraldine Chaplin). Nem Daniel Brühl estava bem. Jane Fonda estava completamente deslocada no papel, tão preocupada com sua vaidade e aparência que não conseguiu ter uma performance razoável que fosse.
O roteiro perdeu-se e faltou algo que desse um impulso ao longa francês, com atuações naturais, histórias fortes, personagens marcantes e temas polêmicos.

Avaliação: **

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Rota Irlandesa (Route Irish)


País: Reino Unido/Itália/Bélgica/Espanha
Ano: 2010
Gênero: Ação
Duração: 109 min
Direção: Ken Loach
Elenco: Geoff Bell, Mark Womack, Stephen Lord e Najwa Nimri.

Sinopse: dois amigos vão trabalhar numa firma de segurança privada no Iraque. Após a morte de um deles, o outro decide investigar o ocorrido.

Crítica: a tal rota irlandesa é o apelido da "via mais perigosa do mundo", como um personagem define o trecho que liga o aeroporto de Bagdá à chamada Zona Verde, a área segura que o exército dos EUA isolou ao redor do antigo palácio de Saddam Hussein.
A trama gira em busca de vingança. Frankie (John Bishop) morre numa emboscada iraquiana e, para desespero de seu amigo de infância Fergus (Mark Womack), foi ele mesmo quem convenceu Frankie a ganhar a vida no Oriente Médio.
O objetivo do cineasta é expor o mercado privatizado da guerra, de companhias que contratam ex-militares para transportar pessoas e objetos em zonas de conflito. Nesse contexto, a crítica é válida e é o melhor do filme, que utiliza inclusive imagens reais e fortes. O problema é que os personagens têm diálogos repletos de clichês e muitas ações previsíveis. Os atores até se esforçam para dar maior credibilidade à história marcada pela presença de mercenários que ganham sempre com a guerra, mas mesmo o protagonista exagera em suas cenas de ira.
O acerto de contas, que não medirá consequências, vai do início ao fim, sem trégua, o que cansa um pouco o espectador.
É um trabalho razoável, distante do excelente “Ventos da Liberdade” (2006), também dirigido por Loach.

Avaliação: ***

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