sexta-feira, 21 de junho de 2013

A Memória que me Contam

País: Brasil
Ano: 2013
Gênero: Drama
Duração: 95 min
Direção: Lúcia Murat
Elenco: Irene Ravache, Simone Spoladore e Franco Nero.

Sinopse: a ex-guerrilhera Ana, ícone do movimento de esquerda, é o último elo entre um grupo de amigos que resistiu à ditadura militar no Brasil. Com a iminente morte da amiga, eles se reencontram na sala de espera de um hospital. Entre eles está Irene, uma diretora de cinema que se sente perdida diante da iminente morte da amiga e que precisa ainda lidar com a inesperada prisão de Paolo, seu marido, acusado de ter matado duas pessoas em um atentado terrorista ocorrido décadas atrás na Itália.

Crítica: o filme revisita a ditadura cuja trama tem como ponto de partida a internação de Ana, ex-guerrilheira interpretada por Simone Spoladore. A personagem é livremente inspirada em Vera Silvia Magalhães, ex-guerrilheira que participou do sequestro do embaixador norte-americano no Brasil em 1969 e que se tornou um ícone para a esquerda.
‘A Memória que me Contama é bem conduzido e tecnicamente irrepreensível. Não é sobre a ditadura, mas sobre pessoas que lutaram contra o regime, sobreviveram e hoje vivem num tempo diferente, um país alheio às convicções que marcaram suas vidas no passado. No longa, este choque de realidade é dado pelos personagens jovens, filhos desses militantes do passado, que agora enxergam o mundo por sua ótica, de acordo com suas realidades. Nossa geração já tem o direito de se expressar livremente, enquanto que eles tiveram que pegar em armas ou lutar intelectualmente para obter liberdade.
A obra inclusive não renega os erros cometidos por quem se opunha ao regime. Num dos bons momentos do filme, uma militante expõe um pensamento que pouco se leva à tona quando o assunto são os anos de chumbo do Brasil. Muitos que lutavam contra a ditadura queria substituí-la por outra, a ditadura do proletariado, que como se sabe hoje, não deu certo em nenhum lugar do mundo.
No entanto, a falta de naturalidade dos atores, seja pela atuação em si ou nos diálogos, não ajuda e o espectador se distancia, ao invés de se envolver e se comover.
Aliás, artificialismo é algo que prejudica os filmes brasileiros em geral. Poucos são elogiáveis quanto a atuações de verdade.


Avaliação: **

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Mercado de Futuros

País: Espanha
Ano: 2011
Gênero: Documentário
Duração: 110 min
Direção: Mercedes Álvarez
Elenco: -

Sinopse: um retrato sobre a vida dos objetos e, em particular, sobre o tema atual do mercado imobiliário e a transformação dos espaços urbanos na Espanha. A febre imobiliária, agravada na última década, transformou como nunca as cidades, seus centros e periferias, gerando espaços urbanos aberrantes, desolados ou inúteis, bairros dormitórios e macrocentros do ócio e do consumo. O mundo inteiro retratado a partir de uma grande cidade espanhola.

Crítica: o tema é atual e pungente, mas o documentário não convence. O excesso de imagens paradas e pouquíssimos depoimentos tornou a obra cansativa e difícil de assistir. Há um determinado momento, que retrata uma negociação de títulos da dívida pública da Grécia, que dura mais de 10 minutos, sem qualquer explicação ou intervenção do diretor. Além de maçante, é uma informação inútil para quem não é do ramo.
Mostra os contrastes de uma sociedade em mudança contínua e rápida devido à crise econômica, mas sem elucidar de forma interessante ao espectador suas causas, seus efeitos e suas vítimas.
O documentário deve trabalhar e mesclar ideias, opiniões, fatos e pessoas a fim de passar uma mensagem, senão direta, clara pelo menos.


Avaliação: *

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Yema

País: Argélia
Ano: 2012
Gênero: Drama
Duração: min
Direção: Djamila Sahraoui
Elenco: Djamila Sahraoui, Samir Yahia, Ali Zarif e Nabil Oudihat.

Sinopse: embora a Guerra Civil da Argélia – entre o governo e os rebeldes fundamentalistas islâmicos – que começou em 1991, tenha terminado oficialmente em 2002, o país permanece dividido por conflitos. A diretora Djamila Sahraoui concentra-se na temática clássica do irmão contra irmão, numa tragédia que se abate sobre uma família e que consegue falar da devastação do conflito como um todo.

Crítica: Ouardia (interpretada pela própria diretora) se prepara para enterrar seu filho mais velho, Tarek, um soldado do governo morto por seu próprio irmão, o fundamentalista Ali, na remota zona rural da Argélia. Subsistindo numa região assolada pela seca e vigiada por um guarda enviado por Ali, Ouardia obsessivamente cuida de seu jardim, uma fonte de alimentação, mas também uma metáfora para a possibilidade de esperança em um mundo aparentemente sem esperança. Ali, gravemente ferido, volta para casa e Ouardia trava uma luta entre a memória do filho morto e a realidade do que ainda está vivo, o assassino de seu irmão.
A fotografia destaca bem o cenário bucólico, com uma excelente técnica cinematográfica. Isso é inegável.
Mas a história singela poderia ter sido melhor pincelada. Seu ritmo lento, por vezes, cansa. Sahraoui é quem sustenta o filme com seu desempenho. Os outros atores que vivem o filho e o guarda são bem amadores.
A dor da mãe só ganha um pouco de alívio com a chegada de uma criança, que também é fruto de discórdia entre mãe e filho.
Ainda assim, por retratar a crueldade de conflitos que derrubam as fronteiras familiares, vale a pena assistir.


Avaliação: **

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