quarta-feira, 1 de abril de 2015

Blind

País: Noruega/Holanda
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 96 min
Direção: Eskil Vogt
Elenco: Ellen Dorrit Petersen, Henrik Rafaelsen e Vera Vitali.

Sinopse: após perder a visão, Ingrid (Ellen Dorrit Petersen) resolve cada vez mais se isolar em sua própria casa, onde sente-se segura. Seu grande parceiro nesta difícil adaptação é o marido (Henrik Rafaelsen), mas cada vez mais ela percebe que seu maior inimigo está dentro de si mesma.

Crítica:  o filme de estreia do diretor Eskil Vogt (que já havia escrito o roteiro de Oslo 31 de Agosto) é surpreendente, colecionou elogios e conquistou prêmios.
A história de uma mulher que acaba de ficar cega, Ingrid, é contada com muita criatividade e imaginação, qualidades mais raras no cinema hoje. Além dela, mais 3 personagens ajudam a compor o cenário de sentimentos que emocionam qualquer um.
A direção aposta em truques visuais criativos, que embaralham roteiro e memória, personagens, diálogos, situações, mas tudo feito de forma a instigar nosso interesse e ficarmos ligados na tela. O texto é muito bom e~, quando parte da imaginação de Ingrid, mais ainda.
Esposa de um conceituado engenheiro (Morten) em ascensão, ela se mantém cada vez mais reclusa, mais solitária, mais introspectiva. Seu marido a que de volta, precisa dela, a ama, aconselha-a a sair de casa (ela passa horas ouvindo música ou no computador imaginando coisas).
Ao mesmo tempo e paralelo a isso, é apresentado um outro homem (Einar) que lida com sua própria reclusão, sua própria solidão. Pornografia, internet, música e um imenso vazio. Como ele, uma jovem mãe (Elin) separada cuida de seu filho e tenta reerguer uma existência igualmente vazia e falida. O que essas pessoas teriam em comum?
Aos poucos tudo vai fazendo sentido num roteiro incrivelmente bem escrito. Apesar do drama, situações engraçadas arrancam risos da plateia, não acostumada a um humor tão refinado.
Um filme sobre as relações humanas complexas, delicadas, e todas as suas peculiaridades.

Avaliação: ****

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Força Maior (Force Majeure)

País: Suécia/Dinamarca/Noruega/França
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 118 min
Direção: Ruben Östlund
Elenco: Johannes Bah Kuhnke, Lisa Loven Kongsli e Clara Wettergren

Sinopse: uma família sueca passa as férias nos Alpes para esquiar. Eles ouvem um estrondo, que poderia ser um alerta de avalanche. Mas o pai não acredita na possibilidade de perigo. Enquanto comem, são surpreendidos pela avalanche. O pai reage com covardia, o que fará com que ele seja perseguido pelos seus erros até o fim de sua vida.

Crítica: o filme sueco concorrente ao Oscar de Filme Estrangeiro tem uma aura pesada, intensificada pela trilha sonora de “Summer”, de Vivaldi, que intensifica os momentos que estão por vir.
Na trama, a família aparentemente sueca, vê tudo desmoronar entre seus 4 integrantes, assim como em uma avalanche. Conflitos, silêncios, nervos à flor da pele serão constantes após um incidente em que fica clara a reação “suspeita” do pai que deveria ser o primeiro (pelo menos, em tese) a proteger sua família. Surge aí o questionamento sobre o instinto de sobrevivência.
Os diálogos são bons e dois personagens coadjuvantes que aparecem no meio da trama enriquecem a discussão, ainda que o longa se estenda além do necessário.
Depois de uma introdução inteligente e de um desenvolvimento maduro, o final poderia ter sido melhor. Aliás, vários poderiam ter sido os desfechos dessa trama. Talvez tenha sido essa a intenção do diretor antes de finalizar a história, permitindo que pensássemos em outros caminhos para a conclusão da história. 

Avaliação: ***

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Marcas da Água (Watermark)

País: Canadá
Ano: 2014
Gênero: Documentário
Duração: 90 min
Direção: Jennifer Baichwal e Edward Burtynsky.
Elenco: -

Sinopse: todo ser vivo necessita de água. Nós, humanos, interagimos com ela em uma miríade de formas, várias vezes ao dia. Mas com que frequência consideramos a complexidade dessa interação? E, exceto quando confrontados por sua escassez, quando meditamos sobre sua onipresença na criação, manutenção e enriquecimento da vida? Marcas da Água reúne diversas histórias de todo o mundo sobre nossa relação com a água: como somos atraídos a ela, o que podemos aprender com ela, como a utilizamos e as consequências dessa utilização.

Crítica: um exemplo clássico de uma produção que tem tudo e produz quase nada. Sim, porque o tema água, com toda a sua abundância de possibilidades de abordagem e de estatísticas, como utilização e escassez, reduziu-se basicamente a boas poucas imagens e efeitos visuais.
Faltaram números, depoimentos, exemplos (a região amazônica e sua imensidão de água) sequer é citada no documentário que, na verdade, parecia mais um trabalho de faculdade para alguns letrados no assunto.
Realmente, no momento atual em que a seca e a falta de água têm atormentado milhares de pessoas, a discussão deveria ter sido mais rica e envolvente. E, infelizmente, o trabalho fica bem longe disso.
Com exceção das imagens em uma represa em construção na China e do rio Ganges na Índia usado para todos os fins pela população, quase nada impressiona.
A edição é mal feita. Sem roteiro, as poucas informações (a maioria dos locais não é identificado como se o espectador tivesse por obrigação conhecer qualquer lugar do planeta; por exemplo, sequências de uma extensa área pesqueira, criadora de abalones – parentes das ostras – são mostradas sem qualquer legenda explicativa) ficam perdidas e sem conexão alguma com quem se deslocou de casa até o cinema acreditando que assistiria a um grande documentário.

Avaliação: **

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