Além do Homem
País: Brasil
Ano: 2018
Gênero: Drama
Duração: 92
min
Direção: Willy
Biondani
Elenco: Sergio
Guizé, Débora Nascimento, Otávio Augusto, Fabrício Boliveira e Pierre Richard.
Sinopse: o filme conta a história do escritor brasileiro Alberto Luppo (Sergio
Guizé), que mora em Paris há muitos anos e não tem vontade de retornar ao país
de origem. Mas quando o antropólogo francês Marcel Lefavre (Pierre Richard) é
supostamente devorado por canibais no interior do Brasil, Alberto é obrigado a retornar
à terra natal para investigar o mistério e transformar a história em um livro.
Chegando lá, recebe a ajuda do taxista Tião (Fabrício Boliveira) que o leva até
o local. Alberto vai penetrando em um Brasil alegórico e misterioso. Temendo
por um final como o do francês, se desespera. Mas encantado com a beleza
brasileira de Bethânia (Débora Nascimento) se entrega ao destino e redescobre
sua identidade.
Crítica: em seu primeiro longa-metragem, Willy Biondani já foge do trivial. A
forma de contar a narrativa, por muitas vezes, de forma fantasiosa e abusando
do humor, é bem distinta dos filmes brasileiros que costumamos ver na tela, e
não deve agradar todo e qualquer público.
A película tem como ponto de partida a vida de Alberto em Paris; vemos
sua namorada, seu sogro e poucos minutos depois, a decisão de vir ao Brasil. Já
neste ponto é perceptível a mudança sensorial da narrativa, que sai de uma
fotografia fria (tons azulados e cinzentos) nas cenas em Paris, para uma iluminação quente
(tons alaranjados) já no estado de Minas Gerais. Ao chegar em terras
tupiniquins, o ambicioso escritor encontra Tião (Fabrício Boliveira) um
personagem caricato que traz consigo a famosa “alegria de ser um brasileiro”,
algo que incomoda Alberto, que não compreende como alguém pode esbanjar tanta
felicidade vivendo em uma cidade tão precária de recursos básicos. Tião, assim
como os outros personagens que surgem na vida de Alberto, provocam grande
irritação e, para deixar a cidade logo, o escritor decide tratar como lenda
toda essa baboseira de antropólogo perdido. No entanto, é impedido de deixar o
povoado e passa a conviver com os cidadãos que ali habitam.
Todo esse processo faz com que Alberto redescubra a sua identidade
brasileira. A trama se desenrola em torno do francês/brasileiro e sua volta às
origens, que, depois de uma viagem tão repleta de imagens e sensações, deve
recuperar a inspiração para seus projetos artísticos em Paris.
Com diálogos bem inteligentes, o longa aponta para o calor humano e a afetividade
de um povo. Alberto sente isso na pele, ainda que todas as pessoas que passem
pelo seu caminho sejam excessivamente calorosas, com suas vestimentas
coloridas, sorrisos “rasgados” e palavras esbanjando sensualidade.
A trilha sonora e a fotografia são incríveis (o filme é rodado em Paris
e em Milho Verde, MG) e têm a sua razão de ser: conduzir Alberto entre seus
sonhos, delírios e realidade.
Avaliação: ***
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