quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Relatos Selvagens (Relatos Salvajes)

País: Argentina/Espanha
Ano: 2014
Gênero: Suspense, drama
Duração: 120 min
Direção: Damián Szifron
Elenco: Ricardo Darín, Oscar Martinez, Osmar Núñez, Rita Cortese e Érica Rivas.

Sinopse: diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle.

Crítica: antes de começar a escrever qualquer coisa: assista, pois o filme é excepcional. Razões não faltam para vê-lo: um elenco espetacular e afinadíssimo, começando por Ricardo Darín, claro; o humor sofisticado e inteligente – já marca da cinematografia argentina; e a produção ser do gênio Almodóvar.
Sucesso de público e crítica (3 milhões de espectadores só na Argentina), é o candidato do país ao Oscar 2014.
São seis histórias diferentes, beirando ao surreal, mas com as quais nos identificamos e nos sentimos “vingados” pelo fato dos protagonistas fora de controle decidirem fazer justiça com as próprias mãos.
O equilíbrio entre a tragédia e o cômico é perfeito: muita ironia, falta de civilidade e selvageria urbana.
Merece o Oscar!

Avaliação: *****

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Libertem Angela Davis

País: França/ EUA
Ano: 2014
Gênero: Documentário
Duração: 97 min
Direção: Shola Lynch
Elenco: Angela Davis e Eisa Davis

Sinopse: a vida de Angela Davis, uma professora de filosofia nascida no Alabama, e conhecida pelo profundo engajamento em defesa dos direitos humanos. Quando Angela defende três prisioneiros negros nos anos 1970, ela é acusada de organizar uma tentativa de fuga e sequestro. Nesta época, se tornou a mulher mais procurada dos Estados Unidos e ainda hoje é um símbolo da luta pelo direito das mulheres, dos negros e dos oprimidos.

Crítica: imagens de época, depoimentos e um retrato duro e cruel do racismo americano na década de 70.
De família classe média alta, a americana Angela Davis já estudava e morava na Alemanha quando, em 1960, decidiu voltar para os Estados Unidos. Tornou-se militante do partido e participante ativa dos movimentos negros e feministas que sacudiam a sociedade americana da época, primeiro como filiada da SNCC de Stokely Carmichael e depois de movimentos e organizações políticas como o Black Power e os Panteras Negras.
Em 18 de agosto de 1970, Angela Davis tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI, ao ser acusada de conspiração, sequestro e homicídio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco.
O documentário apenas estende-se um pouco demais ao acompanhar o julgamento de Angela Davis (dezoito meses) até ser considerada inocente e por um júri só de pessoas brancas.
John Lennon e Yoko Ono lançaram a música Angela em sua homenagem e os Rolling Stones gravaram Sweet Black Angel, cuja letra falava de seus problemas legais e pedia sua libertação.
Finalmente livre, Angela foi temporariamente para Cuba, seguindo os passos de seus amigos, os ativistas radicais Huey Newton e Stokely Carmichael. Sua recepção na ilha pelos negros cubanos num comício de massa foi tão entusiástico que ela mal pôde discursar.
Nos últimos anos continua a fazer discursos e palestras principalmente em ambientes universitários e se mantém como uma figura proeminente na luta pela abolição da pena de morte na Califórnia. Em 1977-1978 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.
Uma história que pouca gente conhece. Vale a pena conferir.

Avaliação: ***

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Mil Vezes Boa Noite (A Thousand Times Good Night)

País: Suécia
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 117 min
Direção: Erik Poppe
Elenco: NikolajCoster-Waldau, Juliette Binoche e Maria Doyle Kennedy.

Sinopse: Rebecca é uma das melhores fotógrafas de guerra em atividade e precisa enfrentar um turbilhão de emoções quando seu marido lhe dá um ultimato. Ele e a filha do casal não suportam mais sua rotina arriscada e exigem mudanças, mas ela, apesar de amar a família, tem verdadeira adoração pela profissão.

Crítica: a trama é focada no drama familiar onde a principal dúvida é: largar ou não a profissão em nome da família?
Rebecca (Binoche) é uma das 5 melhores fotógrafas do mundo e, após um incidente (trabalha em regiões de conflitos), é pressionada pelo marido e filhas, sobretudo a mais maior, já adolescente, a ficar mais tempo com a família.
A história flui bem, mais pelo papel de Binoche que convence na pele da fotógrafa e de sua filha adolescente que cumpre bem a tarefa. A crise na adolescência gerada pela falta da mãe é bem explorada.
Faltou, porém, destacar mais a relação do casal e mostrar o porquê de haver esse dilema na família. O dinamarquês NikolajCoster-Waldau não é muito persuasivo como o esposo sofrido.
Algumas imagens são belíssimas com a água, como a de Rebecca sonhando quando está no hospital.
Bom para ver acompanhado, mas não é um filme marcante.

Avaliação: ***

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Dracula – A História Nunca Contada (Dracula Untold)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Ação
Duração: 92 min
Direção: Gary Shore
Elenco: Luke Evans, Dominic Cooper, Samantha Barks e Sarah Gadon.

Sinopse: em busca de força e poder, VladTepes faz um pacto sinistro com as trevas e abre mão de sua humanidade, para desespero de sua esposa.

Crítica:

Avaliação: a conferir

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Cantinflas – A Magia da Comédia (Sebastiándel Amo)

País: México
Ano: 2014
Gênero: Biografia/Drama
Duração: 102 min
Direção: Sebastiándel Amo
Elenco: Óscar Jaenada, Michael Imperioli e IlseSalas.

Sinopse: Mario Moreno sai de sua origem humilde para atuar e fazer o público rir. Ele passa a ser conhecido como Cantiflas, a maior estrela dos filmes de comédia mexicanos. Cantiflas encanta o público com seu estilo leve de fazer comédia. Em seu caminho surge Michael Todd, um produtor da Broadway que lutan para produzir uma versão de "Volta ao Mundo em 80 Dias". Quando os dois se tornam parceiros, o sucesso é inevitável.

Crítica:

Avaliação: a conferir

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O Apocalipse (Left Behind)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Ação
Duração: 115 min
Direção: Vic Armstrong
Elenco: Nicolas Cage, Chad Michael Murray e Cassi Thomson.

Sinopse: após um longo tempo, Chloe (Cassi Thomson) decidiu visitar os pais. Ela andava irritava com a mãe, Irene (Lea Thompson), que há cerca de um ano insistia na pregação religiosa a todos à sua volta. Ainda no aeroporto ela encontra por acaso com seu pai, Rayford (Nicolas Cage), um piloto de avião que iria trabalhar bem no dia do aniversário. Não demora muito para que Chloe perceba que ele arquitetou a viagem para ter um encontro com uma das aeromoças, o que a deixa bastante decepcionada. Também no aeroporto ela conhece Buck (Chad Michael Murray), que se interessa por ela mas embarca no voo que será pilotado por Rayford. Durante a viagem, algo repentino acontece em todo o planeta: milhões de pessoas simplesmente desaparecem, sem deixar vestígios. A situação causa um pânico geral.

Crítica:

Avaliação: a conferir

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Mãe, Eu Te Amo (Mother, I Love You)

País: Letônia
Ano: 2013
Gênero: Comédia dramática
Duração: 83 min
Direção: Jānis Nords
Elenco: Kristofers Konovalovs, Vita Varpina, Matiss Livcans e Indra Brike.

Sinopse: Raimonds (Kristofers Konovalovs) de 12 anos tira uma nota ruim na escola. Ele não quer que sua mãe (Vita Vārpiņa) saiba dessa notícia. O garoto começa a contar um monte de mentiras para enconder que ele perdeu seu saxofone. Raimonds está numa tentativa de recuperar o instrumento, melhorar na escola, lidar com as amizades e não levar brigar com sua mãe.

Crítica: a história simples tem uma narrativa dinâmica e conta com excelentes atores, sobretudo Kristofers Konovalovs que interpreta Raimonds.
Os acontecimentos ocasionados pela mentira de Raimonds vão gerando situações cada vez mais difíceis até que tudo se complica e a verdade vem à tona.
O filme tem uma produção esmerada e foi um dos melhores filmes do Festival Internacional Europeu.

Avaliação: ***

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O Homem Infinito (The Infinite Man)

País: Austrália
Ano: 2014
Gênero: Comédia
Duração: 84 min
Direção: Hugh Sullivan
Elenco: Josh Mcconville, Hannah Marshall e Alex Dimitriades.

Sinopse: comédia romântica sobre viagens no tempo onde a tentativa de um homem de criar um fim de semana romântico memorável sai pela culatra quando, na busca da perfeição, ele aprisiona sua namorada em um ciclo infinito.

Crítica: a premissa de viagens no tempo já foi usada em alguns filmes e, apesar de não ser novidade, a história é bem contada e tem uma ótima edição.
Em busca do amor de sua vida, Dean (vivido por Josh Mcconville) fará de tudo para alcançar seu objetivo de ter o melhor final de semana com sua amada Lana (Hannah Marshall).
A história nos faz lembrar um pouco Feitiço do Tempo (1993), com Bill Murray.

Avaliação: ***

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Em Busca do Sentido da Vida (Simple Being)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Documentário
Duração: 92 min
Direção: Marco Ferrari
Elenco: Sol Mason, Jasmin Radibratovic, Jeff Adler e Paul Sand.

Sinopse: Clive decide abrir mão de sua audição, fala e visão, um de cada vez. Uma semana de abstinência de cada sentido. Ele mergulha no experimento com curiosidade e compromisso, determinado a descobrir o pequeno detalhe escondido, a chave secreta que seria capaz de abrir seus sentidos e conectá-lo ao mundo. Vivendo um dia de cada vez, Clive deixa o conforto de sua vida comum para pisar em território desconhecido. Sai do preto no branco e se vê longe do senso comum, no limite da aceitação social. Terá ele a coragem necessária? Abraçará o novo caminho?

Crítica: o filme mistura realidade e ficção, usando a real experiência de um ator, Sol Mason, e a busca extrema, porém sincera, de um herói fictício.
As provações pelas quais o ator passa, ao ficar sem ouvir, falar e ver – um processo a cada semana – mostra como nos adaptamos às dificuldades e como agimos de forma distinta, tornando-nos pessoas mais vulneráveis e mais abertas ao diálogo e à aproximação com outras pessoas diante das dificuldades passadas e dos medos enfrentados.
Vale a pena conferir. 

Avaliação: ***

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Supernova

País: Holanda
Ano: 2013
Gênero: Drama
Duração: 102 min
Direção: Tamar van den Dop
Elenco: Gaite Jansen, Tamar van den Dop e Bob Schwarze.

Sinopse: a jovem Mei, 16 anos, tem uma existência sem graça e o desejo de uma vida grandiosa e empolgante. Ela sonha com um jovem motorista chamado Brad, de quem ela gostaria de cuidar e talvez fazer sexo. Seu pai espera que o motorista traga algum heroísmo a sua vida. Sua mãe espera pelo mesmo momento, para que eles possam sair permanentemente da cidade. Desde que o pai passou com o carro por cima da casa, sua avó não para de tremer. A tremedeira parece ter piorado ultimamente. A esperança de Mei é que seja um sinal de que algo está para acontecer.

Crítica: os filmes holandeses, em geral, são sempre originais. “Supernova” não foge à regra.
Mei vive numa casa em uma curva perigosa, numa estrada isolada da Holanda. Ali, nada acontece, a não ser quando algum carro não consegue frear a tempo de não colidir com a residência.
O pai é aposentado por invalidez e conta com o dinheiro do seguro toda vez que um motorista descuidado invade sua casa.
Mei torce para que isso aconteça novamente porque está na fase da puberdade e quer conhecer alguém. Tem uma única amiga (e gay), seu pai fala pouco, sua mãe está sempre atarefada com as tarefas domésticas e infeliz (tanto que ameaça ir embora) e sua avó está muito doente.
Depois de muita espera, alguém atropela a casa. Será que, agora, seu sonho vai se realizar?
As atuações são bastante convincentes; o texto é inteligente; e as expressões faciais e o silêncio revelam mais que as palavras.
Muito bom!

Avaliação: ***

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Flashback Memories

País: Japão
Ano: 2013
Gênero: Documentário
Duração: 72 min
Direção: Tetsuaki Matsue
Elenco: Goma, Tsuji Kosuke e Tajika Kenta.

Sinopse: em 26 de novembro de 2009, o tocador de didgeridoo (instrumento musical de origem australiana), Goma, se envolveu em uma batida na rodovia metropolitana de Tóquio. A perda parcial de memória resultante e a dificuldade em lembrar-se de coisas novas foram depois diagnosticadas como sintomas de trauma cranioencefálico leve.

Crítica: acompanhamos a reabilitação e a recuperação gradual de Goma com o auxílio do seu diário (de grande valor) e o da sua esposa Sumie. Mas tudo isso é contado por meio da música de Goma, de filmagens e de animações que recriam os seus flashbacks – imagens que aparecem subitamente em sua mente, do início da carreira, da relação com os amigos e familiares e das viagens a outros países para as turnês.  
O filme termina com uma apresentação ao vivo na casa de shows Shibuya.

Avaliação:***

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2 Outonos e 3 Invernos (2 Automnes 3 Hivers)

País: França
Ano: 2014
Gênero: Comédia
Duração: 93 min
Direção: Sébastien Betbeder
Elenco: Vincent Macaigne, Maud Wyler, Bastien Bouillon, Audrey Bastien Thomas Blanchard, Pauline Etienne, Jean-Quentin Chatelain e Olivier Chantreau.

Sinopse: Arman tem 33 anos e resolve mudar de vida. Para começar, ele resolve correr no parque aos sábados. No primeiro dia ele conhece Amélie. A primeira impressão é um choque, a segunda será uma punhalada no coração.

Crítica: exibido em diversos festivais, o filme inova ao contar a história de Aman. Entre idas e vindas, antes e depois do encontro com Amélie, tomamos conhecimento da relação deles e de como ela se aprofunda; do difícil início; das fraquezas dos dois; dos desentendimentos e ruptura; da solidão; e do retorno à vida de casal. Não é fácil ser feliz, mas é possível.
O jogo de edição de imagens é muito bom. O texto, apesar das citações literárias comuns em longas franceses, poderia ter sido mais inspirado.

Avaliação: ***

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A Valsa dos Inúteis (El Vals de Los Inutiles)

País: Chile
Ano: 2013
Gênero: Documentário
Duração: 80 min
Direção: Edison Cájas
Elenco: Darío Díaz e Miguel Miranda

Sinopse: Dario é um estudante do Instituto Nacional e Miguel Angel é um instrutor de tênis. Durante a mobilização social que explode em 2011 no Chile, ambos decidem protestar ao lado de milhares de pessoas em volta do Palácio do Governo, cobrando por educação gratuita e de qualidade para o Chile.

Crítica: o filme tenta fazer uma correspondência/avaliação entre os que lutaram bravamente na ditadura do Pinochet e a situação atual de protestos em prol de melhorias na educação chilena.
Jovens com pais que viveram tal situação na década de 70 de questionam se hoje fazem o suficiente para atingir seus objetivos.
Os tempos são outros e a forma de protestar também. A liberdade existe, mas ainda é oprimida por alguns policiais mal preparados para agir em momentos de manifestações populares. Durante dias, alunos correm pela cidade com faixas, de forma pacífica. Mesmo que não se consiga conquistar o que se reivindica, vale a pena participar.

Avaliação: ***

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Os Anos de Ferro (Los Años de Fierro)

País: México
Ano: 2013
Gênero: Documentário
Duração: 100 min
Direção: Santiago Esteinou
Elenco: -

Sinopse: conta a história de César Fierro, o mais velho prisioneiro mexicano condenado a morte nos Estados Unidos. César espera por sua data de execução há mais de 30 anos, sempre insistindo em sua inocência.

Crítica: o filme revela a triste história de César, que se diz inocente, e acompanha a troca de correspondências com o irmão mais novo que, hoje, vive nas ruas. Este teve a vida bem afetada depois do ocorrido, em parte por se sentir culpado pela prisão do irmão. Foi ele quem apresentou a César o provável culpado pelo assassinato e que está solto, não se sabe onde. Esta pessoa depôs contra César e, simplesmente, acreditou-se na sua palavra. Depois disso, ele sumiu. Mas César não guarda rancor. Ele fala com saudades da ex-esposa que vive em outro lugar e com outro parceiro, e da filha que não viu mais.
Um policial que teria participado, na época, do aprisionamento de César, afirma que o culpado é ele mesmo, mas não há provas.
Um vídeo gravado pela filha dizendo que acredita na sua inocência é enviado para César na prisão.
Até a mãe do rapaz assassinado tem dúvidas quanto ao verdadeiro responsável pela morte do seu filho.
Entre tantas incertezas, resta a esperança de César um dia ser solto. Mesmo assim, uma vida já se passou; afinal, 30 anos são 30 anos.

Avaliação: ***

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terça-feira, 21 de outubro de 2014

A Boa Mentira (The Good Lie)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 110 min
Direção: Philippe Falardeau
Elenco: Reese Witherspoon, Corey Stoll, Thad Luckinbill, Sarah Baker, Sharon Conley, Maria Howell, Joshua Mikel e Mike Pniewski.

Sinopse: um jovem refugiado da guerra civil sudanesa ganha o direito a ir viver para os Estados Unidos com outros três meninos perdidos. Perante o encontro com o mundo moderno desenvolvem uma amizade improvável com a impetuosa mulher americana escolhida para os ajudar. Mesmo assim, o jovem sudanês luta para se ajustar à nova vida e contra os sentimentos de culpa por ter deixado o irmão.

Crítica: a história verídica dos “meninos perdidos” (“Lost Boys”), muitos deles órfãos, que tiveram de fugir do Sudão face à segunda guerra civil iniciada naquele país há mais de 30 anos, é a inspiração para a realização desse longa-metragem.
Os “meninos perdidos do Sudão” é o nome dado aos mais de 20 mil jovens de várias etnias sudanesas perseguidas que procuraram proteção em campos de refugiados (na Etiópia e no Quênia) durante a segunda guerra civil no país (1983-2005, que provocou mais de 2,5 milhões de mortos e milhões de deslocados ao longo de 22 anos. Alguns desses jovens refugiados conseguiram o salvo conduto para rumar a outros países de acolhimento e relançarem as suas vidas.
Sucesso no Festival de Cinema de Toronto, que acontece anualmente no mês de setembro, a película deve ser bem recebida por onde passar.
Forte e crítico ao mostrar como 250 mil pessoas podem viver num campo de refugiados com tão pouco e a esperança de terem uma vida melhor fora dali. Uma lista de chamada, antes do fatídico 11 de setembro de 2001, costumava ser feita, dando a chance dos sudaneses terem uma vida digna na América. 
O filme retrata como 4 jovens (os últimos a entrarem antes da interrupção do processo de salvo conduto) conseguem, com dificuldades, se adaptar à nova vida. Quem ajuda nessa jornada é “Carry” (Reese Witherspoon), a princípio completamente cumprido seu papel de funcionária pública e descompromissada para, depois, mergulhar de cabeça na vida dos sudaneses. A irmã, que também viera, foi separada deles ao entrar nos EUA. Carry dará um jeito para trazê-la para perto deles.
Para interpretar os quatro refugiados que viajam para os Estados Unidos em “A Boa Mentira”, os produtores do filme contrataram mesmo atores sudaneses. Entre eles, duas antigas crianças-soldados no Sudão: o agora músico de Hip Hop Emmanuel Jal e o modelo Ger Duany. Este último, aos 35 anos, já com alguma experiência na sétima arte após participações em filmes como “Psico-Detetives” (a estreia, em 2004) ou “The Fighter: O Último Round” (2010).
A história (bem produzida) comove e abre os nossos olhos para o quanto ainda precisa ser feito. Uma das partes mais belas é quando um deles (já adulto e estudando Medicina) retorna ao Sudão para buscar o irmão que ficou e, não conseguindo a ajuda de nenhuma embaixada para que ele pudesse também migrar para os Estados Unidos, acaba por trocar de identidade com ele. Fica para que o irmão (que o salvou da morte na infância) tenha a chance de viver em outro país. 

Avaliação: ****

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Grandes Amigos (Amitiés Sincères)

País: França
Ano: 2014
Gênero: Comédia Dramática
Duração: 104 min
Direção: Stephan Archinard e François Prévôt-Leygonie
Elenco: Gérard Lanvin, Jean-Hugues Anglade, Wladimir Yordanoff, Ana Girardot, Zabou Breitman e Natacha Lindinger.

Sinopse: Walter Orsini (Gérard Lanvin) adora a pesca, a gastronomia e os bons vinhos. Ele gosta muito de seus amigos de infância, Paul (Jean-Hugues Anglade) e Jacques (Wladimir Yordanoff), mas ama acima de tudo sua própria filha, Clémence (Ana Girardot), de 20 anos. A única coisa que Walter detesta é a mentira. Ele sempre acreditou que em todos os casos, a melhor coisa a se fazer é dizer a verdade. Logo, ele vai perceber que está errado.

Crítica: os franceses sabem ser contar histórias de diversas formas e, sempre inserindo em suas cenas ou narrativa, o que a França tem a oferecer.
Aqui, Walter Orsini que tem como lema odiar mentiras, acaba descobrindo que seus 2 melhores amigos, sua ex-esposa e sua filha, têm escondido algo dele. Um dos amigos tem um segredo guardado há 30 anos sobre sua sexualidade. O outro namora sua filha, que já não é mistério para sua ex-esposa que aconselha a filha a esperar um pouco antes de contar tudo. 
Mas isso acontece devido ao seu temperamento difícil e controlador. As revelações acontecem de forma engraçada. O texto é muito bom e, para os admiradores de vinho, não faltam dicas (ainda que caras) para degustar.
Uma história leve, mas que faz pensarmos realmente que, às vezes, a mentira é necessária e ajuda. Porém, de qualquer forma, um dia ela vem à tona e resta saber como o “enganado” irá recebê-la. 

Avaliação: ***

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O Homem Mais Procurado (A Most Wanted Man)

País: EUA/ Reino Unido/ Alemanha
Ano: 2014
Gênero: Suspense
Duração: 122 min
Direção: Anton Corbijn
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Rachel McAdams, Grigoriy Dobrygin, Willem Dafoe e Daniel Brühl.

Sinopse:  um imigrante de origens chechena e russa faz uma viagem à comunidade islâmica de Hamburgo, para resgatar a herança que seu pai lhe deixou. Mas a sua chegada súbita desperta a curiosidade das polícias secretas alemã e americana, que passam a acompanhar seus passos. Seria ele apenas uma vítima, ou um extremista com um plano muito bem elaborado?

Crítica: num cenário de mistério, paranoia e nada nunca é o que parece, o longa retrata o mundo caótico dos agentes secretos sem o menor glamour e o resultado é um interessante e crítico filme sobre espionagem e a atual forma de lutar contra o terrorismo mundial encabeçada pelos EUA.
Philip Seymour Hoffman está no centro do jogo de gato e rato, como espião alemão Günther Bachmann, responsável por impedir ameaças antes mesmo de elas se concretizarem. Quando Issa, rapaz meio checheno, meio russo, chega de forma clandestina a Hamburgo, Alemanha, a inteligência antiterrorista pega seu rastro imediatamente. Logo, agências de todo o mundo se interessam, inclusive dos Estados Unidos, e todos começam a se meter para tentar impedir conspirações terroristas.
Enquanto autoridades alemãs pressionam a captura de Issa, Günther decide investigar melhor em busca de outros envolvidos. Enquanto isso, Annabel Richter (Rachel McAdams), advogada de direitos humanos, tenta garantir a liberdade do rapaz. Jogos de interesses começam a se mostrar desafios muito maiores do que a busca pela verdade sobre a intenção do rapaz. O inimigo deixa de ser o suposto terrorista e passa a ser o sistema. Agência e governos apresentam reações histéricas pelo simples fato do rapaz suspeito estar no ocidente. Logo, não importa se ele é ou não culpado, a forma como as autoridades lidam com a situação parece nem considerar essa informação de fato. O importante é incriminar alguém perante os holofotes da mídia.
No final, tudo é posto a perder. Günter é traído e o desfecho que parecia feliz era pura farsa para enganá-lo.
Um filme inteligente, sem cenas de tiros, sangue ou violência, no entanto com um ótimo texto e enredo, com detalhes que fazem a diferença e que tem muito a dizer acerca da paranoia atual no mundo, pós-atentado 11 de setembro de 2001. Tenso e com pesado tom político sobre o que como as agências secretas lidam com o terrorismo, prende a atenção do espectador.
O elenco está afinado, mas quem se destaca mesmo é o nosso saudoso Philip Seymour, confiante e inspirado em seu papel de espião.

Avaliação: ***

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Sem Pena

País: Brasil
Ano: 2014
Gênero: Documentário
Duração: 86 min
Direção: Eugenio Puppo
Elenco: -

Sinopse: nenhuma população carcerária cresce na velocidade da brasileira que já é a quarta maior do mundo. Sem Pena desce ao inferno da vida nas prisões brasileiras, para expor as entranhas do sistema de justiça do país, demonstrando como morosidade, preconceito e a cultura do medo só fazem ampliar a violência e o abismo social existente.

Crítica: um dos melhores documentários brasileiros. Pena que será visto por pouca gente. Traz um retrato triste, duro e cruel, mas verdadeiro da situação carcerária do país.
Um ciclo vicioso, marcado por injustiça, burocracia em excesso, desordem e falta de competência de órgãos do governo de ver que o problema é urgente e precisa ser resolvido já. 
Um dos diferenciais do filme é que os depoentes dão entrevista, mas não revelam suas faces, buscando priorizar o discurso e não quem o faz, o que só faz aumentar o interesse de quem assiste ao documentário.
Ficamos chocados ao ouvir a história de um artista plástico preso por engano, tendo sido confundido com um estuprador e tendo ficado encarcerado por 5 anos; o relato de uma moça presa simplesmente por consumir maconha, mas sendo acusada de traficante e ter sido extorquida por policiais que queriam simplesmente dinheiro; as palavras de um ex-policial que assume que há uma quantidade mínima de prisões que um policial deve efetuar por período de tempo. Ele afirma que só conseguiu refletir e perceber o quanto isso é péssimo para ele e para a sociedade, quando esteve preso também.
Prisões injustas, erros de julgamentos, tempo de pena cumprido em excesso são alguns dos exemplos retratados com excelentes depoimentos de ex-presos, advogados, assistentes sociais, professores universitários.
A sociedade está criando um monstro que se volta contra ela mesmo. O tratamento nas cadeias é desumano e quem entra ali sai pior. Sem oportunidade na vida antes de ser preso, pior ainda quando é libertado. Ninguém quer empregar o preso. Ao condenar os presos ao ócio na cadeia, criam-se raízes para uma violência ainda maior que se desencadeará quando esses presos tiverem liberdade. Liberdade de quê? Não há preparação alguma. O país empurra “com a barriga” um de seus maiores problemas sociais.
A denúncia surge não só para demonstrar a miopia do sistema, que prefere punir a corrigir o erro comunitário, como também evidencia como pensam os agentes da lei, os braços armados que deveriam servir e proteger o povo, mas que aceitam extorquir e denunciar qualquer um, desde que seja conveniente ao Estado. A polícia corrupta é uma das maiores causas dessa criminalidade. Quem devia proteger, condena a sociedade à morte.
Só ao final do filme, rostos surgem na tela, quando é mostrada a sessão de julgamento de uma senhora, acusada por tráfico de drogas. Supostamente, alguém teria colocado as drogas na sua porta ao ver a polícia chegar. A cena é fictícia, porém baseada em fatos cotidianos.
“Sem Pena” é um alerta impactante sobre uma situação que não pode mais continuar: não se pode mais fingir que a prisão é uma solução; ao contrário, é o motivo de estarmos todos vivenciando a falta de liberdade, de ir e vir, devido a uma violência urbana quase sem comparativos na história mundial.

Avaliação: ****

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O Físico (The Physician)

País: EUA/Alemanha
Ano: 2014
Gênero: Aventura
Duração: 119 min
Direção: Philipp Stölzl
Elenco: Stellan Skarsgard, Ben Kingsley, Emma Rigby e Olivier Martinez.

Sinopse: Inglaterra, século XI. Ainda criança, Rob vê sua mãe morrer em decorrência da "doença do lado". O garoto cresce sob os cuidados de Bader (Stellan Sarsgard), o barbeiro local, que vende bebidas que prometem curar doenças. Ao crescer, Rob (Tom Payne) aprende tudo o que Bader sabe sobre cuidar de pessoas doentes, mas ele sonha em saber mais. Após Bader passar por uma operação nos olhos, Rob descobre que na Pérsia há um médico famoso, Ibn Sina (Ben Kingsley), que coordena um hospital, algo impensável na Inglaterra. Para aprender com ele, Rob aceita não apenas fazer uma longa viagem rumo à Ásia mas também esconde o fato de ser cristão, já que apenas judeus e árabes podem entrar na Pérsia.

Crítica: o filme tem uma excelente produção, mas longe de ser uma boa adaptação da excelente obra literária de Noah Gordon.
Em vez de aprofundar-se na história e em seus ricos detalhes, perde-se com cenas românticas e exagera na glorificação do herói Rob.
O cenário da Idade Média, que é o tempo histórico mais presente no imaginário coletivo, é muito bem recriado. E, por isso mesmo, o longa deixa a desejar. Faltaram as questões filosóficas e os dados históricos levantados pelo romance épico, com descrições generosas e perfeitas de cenários que, justamente, prendem tanto a atenção do leitor que lê a obra.
Além disso, as interpretações são medianas. Até mesmo o veterano bem Kingsley não impressionou.

Avaliação: ***

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A História do Homem Henry Sobel

País: Brasil
Ano: 2014
Gênero: Documentário
Duração: 90 min
Direção: André Bushtsky
Elenco:

Sinopse: a história do homem Henry Sobel traz a trajetória de um dos mais intrigantes líderes religiosos do Brasil, contada desde sua chegada ao país até os dias atuais, passando pela corajosa denúncia à falsa versão dos militares sobre a morte do jornalista Vladimir Herzog e pelo fatídico episódio do furto das gravatas, revelando luzes e sombras de um homem sábio e religioso, porém complexo e demasiadamente humano.

Crítica: a trajetória de Sobel não é só repleta de glórias e o filme, ainda que parcial, revisita o lado obscuro de sua vida. Por menos estimulante que o filme seja em seu formato comum e, às vezes, um pouco monótono, é eficaz ao traçar a trajetória polêmica desse líder religioso que rompeu barreiras, ousou contra as tradições de sua religião e buscou caminhos alternativos para a paz, e ao passar a mensagem urgente de que é impossível negar o quanto o fundamentalismo religioso é um perigo.
O documentário não procura contrapontos ao seu ponto de vista favorável ao personagem. Mesmo quando Sobel se despe de orgulho para falar sobre o episódio das gravatas em Palm Beach (EUA), suas origens e consequências, o documentarista mantém o tom que enaltece o rabino mais famoso do país apoiado entrevistas de amigos, jornalistas, membros da Congregação Israelita de São Paulo e familiares.
A edição de imagens de arquivo e depoimentos são eficientes em mostrar o lado humano do rabino, também sujeito a erros. Infelizmente, não compreendido por muitos, foi deixado de lado.

Avaliação: ***

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Attila Marcel

País: França
Ano: 2014
Gênero: Comédia
Duração: 102 min
Direção: Sylvain Chomet
Elenco: Guillaume Gouix, Anne Le Ny e Bernadette Lafont.

Sinopse: Paul tem mais de trinta anos de idade, e leva uma vida pacífica, sempre em casa, tocando piano e observando as tias em suas aulas de dança. Sua história é marcada pela perda dos pais, quando tinha apenas dois anos de idade. Desde esse trauma, o rapaz nunca mais falou... Sua vida de poucos acontecimentos se transforma quando ele conhece a extravagante vizinha do quarto andar, que usa suas técnicas para ajudar Paul a investigar o passado e superar seus problemas.

Crítica: o jeito criativo de fazer cinema francês dá, aqui, mais uma de suas amostras. Uma obra bela que conta uma história triste sem ser melodramática.
Paul (Guillaume Gouix) é um menino tímido, educado, um mestre no piano, mas que tem um olhar muito triste e não fala desde os 2 anos de idade, quando seus pais morreram. Suas tias o superprotegem e não contaram-lhe toda a verdade sobre a morte deles.
Vivendo de poucas lembranças e fotos dos pais, tenta, com a ajuda de uma vizinha bem diferente que o embalará em algumas “viagens”, trazer todas as recordações à tona, assim como a verdade.
O protagonista está sublime no papel. As situações são engraçadas e o desenrolar da história flui bem.
No final, a mensagem é louvável: o importante é fazer o que nós, realmente, gostamos de fazer. A ninguém mais compete escolher nosso caminho, a não ser nós mesmos.

Avaliação: ***

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Ilegal

País: Brasil
Ano: 2014
Gênero: Documentário
Duração: 90 min
Direção: Raphael Erichsen e Tarso Araújo
Elenco: -

Sinopse: de um lado, uma menina de 5 anos com uma forma de epilepsia rara, grave e sem cura. Do outro, uma substância derivada da maconha que acaba com as convulsões da criança. Entre as duas, uma lei que torna o tratamento impossível. A luta de uma mãe para garantir à sua filha o direito à saúde, e como seu exemplo deu origem a um movimento nacional pela legalização da cannabis medicinal.

Crítica: alguns curta-metragens são tão bem recebidos pelo público que acabam virando longas. “Ilegal” é um exemplo e mostra a dura trajetória de mães brasileiras que precisam enfrentar a burocracia para conseguir permissão para importar o medicamento CBD, anticonvulsivo derivado da cannabis sativa e, portanto, figura na lista de remédios proibidos no país.
O documentário, baseado na reportagem feita pelo jornalista Tarso Araújo, mostra os avanços conseguidos por essas mulheres e seus respectivos filhos após a veiculação do vídeo e a comoção causada na mídia. Tarso também é o idealizador da campanha Repense, que por meio do sistema de crowdfunding – espécie de financiamento coletivo de projetos – tenta difundir a conscientização sobre o uso medicinal da maconha e incentivar pesquisa científica sobre o assunto.
A personagem que deu início a toda essa mobilização foi a menina Anny Fischer, filha de Katiele Bortoli, que sofre de um grave e incurável tipo de epilepsia. Ela chegava a ter mais de 60 convulsões por semana, mas graças ao medicamento, as convulsões foram praticamente extintas. Após a repercussão do curta, Anny se tornou a primeira pessoa autorizada a usar a Cannabis medicinal no Brasil, o que mais tarde se estendeu a outros pacientes.
A maior crítica do filme está na extrema burocracia para que se consiga uma autorização da ANVISA para importar o medicamento. As famílias vivem um impasse, pois para a liberação do remédio, é necessário laudo e parecer médico. Mas os profissionais que prescreverem algum derivado da maconha no tratamento de um paciente podem ter o registro profissional cassado pelo Conselho Federal de Medicina.
Outro obstáculo é a desinformação e o preconceito daqueles que possuem uma ideia moralista sobre o uso da droga em todas suas formas. Apesar de possuir forte discurso libertário e que preza a individualidade, Ilegal está longe de ser apologista, afinal o enfoque principal é o uso medicinal da substância, é mostrar o drama humano, é esclarecer e quebrar paradigmas.
Os bons depoimentos incluem também o caso de uma moça com problemas na coluna e que usa a substância para diminuir a dor, tendo em vista que todas as demais soluções não tiveram o efeito esperado.
A falha do longa é apenas estender-se um pouco além, tornando-se repetitivo em seu desfecho. 

Avaliação: ***

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O Último Concerto (A Late Quartet)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 106 min
Direção: Yaron Zilberman
Elenco: Christopher Walken, Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Mark Ivanir e Imogen Poots.

Sinopse: um dos membros de um dos quartetos de cordas mais famoso do mundo. Peter Mitchell (Chistopher Walken) é diagnosticado com Mal de Parkinson. Com o futuro do grupo em perigo, os quatro preparam sua última apresentação, trazendo à tona os amores e desafetos criados em 25 anos de parceria.

Crítica: “O Último Concerto” escolhe como ponto inicial um mecanismo em bom funcionamento – um quarteto de cordas renomado, estável, cujos membros são amigos e parceiros há 25 anos – e planta uma bomba em sua estrutura: um dos músicos (Christopher Walken) é diagnosticado com Mal de Parkinson. Daí em diante, vem uma avalanche de brigas, revelações, lágrimas, traições (entre o casal formado por Catherine Keener e Philip Seymour) e batalhas de egos.
Mesmo assim, não se perde o foco da dor de saber-se que não se pode mais fazer o que mais amamos, a dor de saber que a morte chegará em breve. E Christopher Walken rouba a cena com uma interpretação esplêndida.
Momentos comoventes trazem à tona reflexões sobre como somos e agimos diante de dificuldades inesperadas, de como lidamos com a dor do outro.
O único inconveniente da trama é um romance entre a filha de Robert Gelbart (Seymour) e Daniel Lerner (Mark Ivanir), um dos músicos do quarteto, criado como que para justificar uma tensão familiar ou uma infelicidade com a criação dos pais que não pareceu convincente.
Mas tal falha não impede que o filme passe sua mensagem.

Avaliação: ***

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Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Romance
Duração: 94 min
Direção: John Carney
Elenco: Keira Knightley, Mark Ruffalo, James Corden, Catherine Keener, Adam Levine, Hailee Steinfeld e Yasiin Bey.

Sinopse: uma cantora se muda para Nova Iorque, mas logo após chegar no local, seu namorado americano decide terminar o relacionamento. Em plena crise, ela começa a cantar em bares, até ser descoberta por um produtor de discos, certo de que ela pode se tornar uma estrela.

Crítica: John Carney, que também dirigiu o indie deprê Apenas Uma Vez (2006), gosta de falar da vida e do amor. Aqui ele retrata a superação de uma fase difícil do relacionamento: o término.
Primeiramente, somos apresentados aos personagens Steve (James Corden), que toca em um bar qualquer de Nova York e Gretta (Keira Knightley), sua amiga tímida que está ali e é convidada a tocar uma das músicas que compôs.
Sua apresentação não parece empolgar muito o público, com exceção do decadente produtor musical Dan (Mark Ruffalo) que, ao ouvir o som já imagina os arranjos musicais que tornariam a canção um sucesso. O interessante é que a mesma cena é repetida duas, três vezes, mostrando a sequência sob novos pontos de vista e revelando o motivo dos três se encontrarem no mesmo bar naquela determinada noite.
Ao procurar ajuda da gravadora que ajudou a montar, mas da qual foi demitido, por não mais compartilhar das mesmas ideias quanto a gêneros musicais, ele não recebe a ajuda que esperava. Decide, então, fazer gravações nas ruas e, depois, postá-las na internet.
Conta com a ajuda de amigos que ajudou anteriormente na carreira, músicos estudantes e até de sua filha Violet (Hailee Steinfeld), com quem tinha uma relação distante após o fim do casamento com Miriam (Catherine Keener).
Em meio a isso tudo, conflitos amorosos entre Dan e Miriam e Greta e Dave (Adam Levine), um pop star que a abandonou. A história acerta ao não forçar um romance entre a jovem cantora e seu produtor musical, o que soaria “piegas” e fora de propósito aqui.
Mark Ruffalo, mais uma vez, está super à vontade no papel. Os coadjuvantes ajudam na trama leve e que traz músicas boas de ouvir, sobretudo as letras. No entanto, quem faltou estar mais sintonizada com o personagem foi Keira Knightley, que não se livra dos seus trejeitos e caretas usuais, e parece estar travada em algum lugar que não a liberta para ser mais natural em cena.
Mesmo assim, a trama é bonitinha, bem produzida, e vale o ingresso.

Avaliação: ***

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Violette

País: França/Bélgica
Ano: 2013
Gênero: Drama
Duração: 139 min
Direção: Martin Provost
Elenco: Emmanuelle Devos, Sandrine Kiberlain e Olivier Gourmet.

Sinopse: no início dos anos XX, a escritora Violette Leduc (Emmanuelle Devos) encontra a filósofa Simone de Beauvoir (Sandrine Kiberlain). Nasce entre as duas uma intensa amizade que dura toda a vida, ao passo que Simone encoraja Violette a escrever mais, expondo as suas dúvidas e medos, abordando todos os detalhes da intimidade feminina.

Crítica: o filme, na verdade, fala mais de Violette do que de Simone de Beauvoir. É apenas uma pincelada de um dos acontecimentos de sua intensa vida dedicada ao trabalho e sua conflituosa vida amorosa.
É interessante ver como elas se conhecem em 1942, depois de muita apreensão por parte de Violette e como Simone a ajuda a seguir em frente.
Abandonada pelo marido, explorada pela mãe, sem estudos (que foram interrompidos com a Primeira Guerra) ou um emprego e com baixa autoestima, Violette apoia-se (ainda que em demasia) em Simone. Esta não corresponde ao amor platônico da mulher que a admira tanto, mas a incentiva a escrever, tendo visto o dom de pôr em palavras tudo o que sente, e até passa a ajudá-la financeiramente (sem o conhecimento de Violette).
Seu primeiro romance, A Asfixia, rendeu elogios de Jean-Paul Sartre, entre outros escritores, mas não foi bem recebido pela sociedade, tanto que posteriormente ela precisou retirar trechos que falavam explicitamente de lesbianismo.
Foi somente em 1964, com a publicação de “Os Bastardos” (1964), que logo tornou-se um bestseller, que ganhou o devido reconhecimento, um de seus grandes desejos em vida. Ela ganhou o Prix Goncourt, prêmio literário da França, tendo escrito ainda mais 8 livros.
Violette morreu de câncer aos 65 anos, mas feliz no interior da França, onde, depois de ser encorajada a continuar escrevendo como escrevia, encontrou finalmente a paz.   
A trama não é uma grande história, porém a atuação sublime de Emmanuelle Devos é razão suficiente para assistir ao filme.

Avaliação: ***

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