terça-feira, 27 de janeiro de 2015

OS EUA X John Lennon (The U.S. vs. John Lennon)

País: EUA
Ano: 2006
Gênero: Documentário
Duração: 99 min
Direção: David Leaf e John Scheinfeld
Elenco: John Lennon, Yoko Ono e Angela Davis.

Sinopse: é impossível falar na história da música popular no século XX sem falar em John Lennon (1940-1980) e no legado de sua obra com os Beatles e em carreira solo. Mas este documentário aborda uma outra faceta memorável de John: sua vida como ativista político. Entre as décadas de 1960 e 1970 usou sua influência (e sua arte) para contestar as ações do governo dos Estados Unidos, principalmente no que se referia a Guerra do Vietnã. O músico se aliou a líderes de esquerda, passou a apoiar o Movimento dos Panteras Negras e bateu de frente com o presidente Richard Nixon. Lennon chegou a ser perseguido pelo FBI e expulso dos EUA por quase dois anos, mas se manteve fiel às suas convicções, sem nunca deixar de pedir uma chance para paz.

Crítica: há vários documentários sobre John Lennon, mas este é indubitavelmente o melhor.
Mostra o Lennon além do artista e atrás dos bastidores. Retrata o ativista, o pacificador o homem de muitos princípios e que soube usar sua popularidade para defendê-los e colocá-los em prática. Sua maior defesa era pela paz e, especificamente, pelo fim da Guerra do Vietnã e retirada das tropas americanas do país.
Suas letras eram fortes, suas mensagens nunca passavam despercebidas e sua presença, sempre impactante.
O documentário apresenta diversas entrevistas de Lennon concedidas nos EUA, Canadá e Europa, acompanhado da Yoko Ono, e outros números depoimentos de artistas, jornalistas, publicitários, ativistas políticos daquela época, funcionários do FBI, políticos americanos, escritores.
Algumas amizades e a relevante influência de John Lennon teria incomodado Nixon (então presidente) que mobilizou o FBI para vigiá-lo e monitorá-lo. A perseguição foi tanta que chegou ao ponto de Lennon ser quase deportado para Londres, seu país de nascimento.
As imagens de arquivo (fotos, shows, viagens, protestos) contribuem para situar o espectador no ambiente vivido pelo artista nessa fase tão turbulenta.
Confira!

Avaliação: ***

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O Estranho em Mim (Das Fremde in Mir)

País: Alemanha
Ano: 2008
Gênero: Drama
Duração: 95 min
Direção: Emily Atef
Elenco: Susane Wolff e Johann von Bülow.

Sinopse: Rebecca e seu namorado Julian estão esperando seu primeiro filho e estamos muito felizes. Quando Rebeca dá à luz um menino em boa saúde, felicidade parece completa. Mas Rebecca não se sente o amor incondicional que mesmo uma mãe deve sentir-se em direção ao seu filho.

Crítica: o filme tem como tema algo tão delicado e dificilmente abordado no cinema: a depressão pós-parto – um problema que atinge muitas mulheres no mundo todo.
O preparo, a espera, a expectativa – tudo isso perde o sentido quando do nascimento da criança e o estranhamento da mãe para com ela.
O sofrimento da mãe é tão grande que ela pensa em se afastar ou até morrer para não machucar o bebê.
Rebecca (Susane Wolff, em ótima atuação) procura a ajuda da mãe, de psiquiatra e até de um tratamento para ajudar a ter um novo contato com o filho Lukas: pegá-lo, amamentá-lo, tocá-lo, massageá-lo.
O processo é demorado e as crises entre o casal se agravam, ainda mais com a interferência da família que prefere afastar mãe e filho.
A trama flui bem, mostrando a readaptação de Rebecca à sua nova identidade. O assunto é bastante factual, tendo em vista o papel da mãe-mulher na sociedade contemporânea.
Em 2008, o longa levou o prêmio de Melhor Filme e Melhor Atriz (Susane Wolff) na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Avaliação: ***

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domingo, 25 de janeiro de 2015

Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo (Foxcatcher)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 134 min
Direção: Bennett Miller
Elenco: Channing Tatum, Steve Carell e Mark Ruffalo.

Sinopse: campeão olímpico de luta greco-romana, Mark Schultz (Channing Tatum) sempre treinou com seu irmão mais velho, David (Mark Ruffalo), que é também uma lenda no esporte. Até que, um dia, recebe um convite para visitar o milionário John Du Pont (Steve Carell) em sua mansão. Apaixonado pelo esporte, Du Pont oferece a Mark que entre em sua própria equipe, a Foxcatcher, onde teria todas as condições necessárias para se aprimorar. Atraído pelo salário e as condições de vida oferecidas, Mark aceita a proposta e, assim, se muda para uma casa na propriedade do milionário. Aos poucos eles se tornam amigos, mas a difícil personalidade de Du Pont faz com que Mark acabe seguindo uma trilha perigosa para um atleta.

Crítica: o diretor Bennett Miller tem uma predileção especial por histórias verídicas, a exemplo de “Capote” e de “O Homem que Mudou o Jogo”. São dramas tensos com personagens marcantes, repletos de conflitos.
A trama é interessante: conta a história dos irmãos Mark e David Schultz (Channing Tatum e Mark Ruffalo, respectivamente) que conquistaram o ouro nas Olimpíadas de Los Angeles na modalidade de luta greco-romana. Com o feito, foram convidados pelo milionário empresário John Du Pont (de família influente norte-americana) para integrar a equipe patrocinada por ele.
Du Pont é um depósito de frustrações. Mais conhecido por filmes de comédia como 'O Virgem de 40 anos', Carrell aparece irreconhecível. Há aqui o mérito da maquiagem, inclusive indicada ao Oscar. Mas vai além disso: o olhar carregado, a voz diferente, a postura adotada. São detalhes que ajudam na composição do homem-bomba, prestes a explodir por não dar conta de si mesmo.
O longa não é sobre o espírito esportivo (ele é apenas o pando de fundo); é sobre o ser humano e sua racionalidade ou irracionalidade, sobre suas decepções, angústias, incertezas, frustrações, vaidades, disputas, vulnerabilidade diante das situações; a vida em família; e as surpresas da vida.
As atuações são esplêndidas e a direção, perfeita. A edição conduz o espectador por linhas sombrias, sempre com um suspense do que não sabemos que está por vir. A forma como mostra a relação dos irmãos e suas mudanças de comportamento, sob a influência de Du Pont, é de um requinte e de uma inteligência, pouco vistos no cinema.
As passagens silenciosas, destacando-se os olhares e as expressões de cada um retratam mais do que qualquer discurso. Vale também destacar o preparo físico de Tatum e Ruffalo (este, aliás, extremamente versátil no cinema) para viverem os atletas.
Ao todo, 'Foxcatcher' recebeu cinco indicações ao Oscar.

Avaliação: *****

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O Jogo da Imitação (The Imitation Game)

País: EUA/Reino Unido
Ano: 2014
Gênero: Suspense
Duração: 115 min
Direção: Morten Tyldum
Elenco: Benedict Cumberbatch, Keira Knightley, Matthew Goode, Mark Strong, Charles Dance, Allen Leech, Matthew Beard e Rory Kinnear.

Sinopse: esta biografia de Alan Turing (Benedict Cumberbatch) acompanha sua ascensão no mundo da tecnologia, quando seus conhecimentos inestimáveis em matemática, lógica e ciência da computação contribuíram com as estratégias usadas pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. No entanto, este homem tinha diversos conflitos com sua própria homossexualidade, buscando soluções de cura, e vindo a cometer suicídio em 1954.

Crítica: a história de Turing (inventor do processador de dados que daria origem ao computador moderno e decodificador da máquina Enigma usada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial) foi apagada de todos os registros até 2013, ano em que Turing recebeu o Perdão Real da Coroa Inglesa. O motivo? Turing era homossexual, o que era, na Inglaterra da década de 40, ilegal, e após viver uma série de atos de coerção e preconceito, foi pego pela polícia britânica. Para evitar a prisão e poder trabalhar em seus projetos científicos, Turing aceitou a alternativa: a castração química. Uma história de poder simbólico tão significativo para os dias de hoje.
Sua trajetória é contada no filme “O Jogo da Imitação”, dirigido pelo diretor norueguês Morten Tyldum, ainda com poucos trabalhos no cinema.
Cuidado aos detalhes e aos fatos (mesmo que pudesse ter situado mais o espectador quanto aos anos dos acontecimentos na vida de Turing nos flashbacks, desde a infância), retratam o contexto histórico e, com bastante didática a relevância, as pesquisas do gênio para o mundo. Segundo estatísticas, teria encurtado a Segunda Guerra em dois anos, impedindo diversos ataques-surpresa alemães e salvando milhares de vidas.
O filme vai além das suas invenções e cálculos matemáticos, apresenta o homem inseguro, tímido e angustiado com seu jeito não “normal”, como ele costumava dizer, e atormentado por perseguições de policiais que investigavam sua masculinidade. Ao final do longa, informa-se que 49 mil homossexuais teriam sido condenados naquele período, já que ser homossexual era considerado um crime.
A performance de Benedict Cumberbatch é perfeita, com seus trejeitos, sotaques, expressões, e é o ponto alto do longa. A equipe que trabalha com ele na invenção de sua máquina universal capaz de obter resultados para diferentes tipos de problemas utilizando um único sistema processador, é igualmente convincente. Já o papel de Keira Knightley (como Joan Clarke) é apagado (sem grandes acréscimos) e poderia muito bem ter sido melhor interpretado por uma atriz desconhecida e mais talentosa. Contudo, tal falha não apaga a riqueza da biografia de um homem que fez muito e que merece ser sempre lembrado pelo seu brilhante legado.

Avaliação: ****

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Timbuktu

País: França/Mauritânia
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 96 min
Direção: Abderrahmane Sissako
Elenco: Ibrahim Ahmed dit Pino, Abel Jafri e Hichem Yacoubi.

Sinopse: Timbuktu está mergulhada em silêncio, portas fechadas e ruas desertas. Já não há música, futebol e nem cigarros. Acabaram-se as cores, os risos, e as mulheres tornaram-se sombras. Longe do caos, nas dunas, Kidane leva uma vida tranquila com a mulher e sua a filha. Mas a tranquilidade acaba quando Kidane mata um homem acidentalmente.

Crítica: coprodução da França e da Mauritânia agradou e superou as expectativas quando apresentado no 67º Festival de Cannes. Agora, está na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Timbuktu baseia-se num caso real ocorrido na pequena cidade de Aguelhok, no país vizinho, o Mali, em 2012: um casal com dois filhos foi apedrejado até a morte pelo simples fato de não ser casado no papel.
Mas a narrativa do longa aposta em mais. Apresenta várias famílias, casos e situações em que as novas “leis” impostas por grupos islâmicos fanáticos (os jihadistas), sem qualquer razão plausível, interferem de forma violenta, e deturpam o que há no Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos.
É interessante constatar que nem todos concordam com aquilo e que se revoltam, mesmo que sejam presos. Mulheres protestam contra o uso obrigatório de luvas e meias em público e outras se negam a colocar o véu; pessoas continuam ouvindo ou tocando música apesar das proibições; mães se negam a dar suas filhas para um desconhecido em um casamento “arranjado”.
O ambiente é turbulento e é lamentável ver uma família simples e nômade, que vive no deserto do Saara, ver sua vida transformada, ainda que não de forma direta pelas ações dos grupos fanáticos.
O filme dá um panorama da vida daquelas pessoas, sem muita opção, a não ser receber as punições em nome da “sharia”, sejam elas chibatadas, apedrejamento em público ou a morte por fuzilamento.
Ainda que nem todas as atuações estejam a contento, os diálogos são bons e algumas cenas são realmente emocionantes, como a do futebol sem bola (já que esta também é proibida), em que os meninos simulam uma partida com direto a gol e tudo mais. Beber e fumar também não é permitido, mas um dos integrantes da Jihad fuma escondido.
O relato duro é suficiente para fazer um alerta ao mundo de que tais imposições que humilham e denigrem as pessoas, sobretudo as mulheres, não podem continuar; e de que a violência e a injustiça precisam ser impedidas.
Nobres são as palavras de um religioso que questiona, numa das cenas do longa, as ações em nome de Alá. Ele conversa com os homens e questiona: “Onde está a piedade? Onde está a clemência? Onde está o perdão?”

Avaliação: ****

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Longwave – Nas Ondas da Revolução (Longwave)

País: Suíça
Ano: 2013
Gênero: comédia
Duração: 85 min
Direção: Lionel Baier
Elenco: Patrick Lapp, Francisco Beland, Adrien Barazzone, Jean-Stphane Bron e Serge Bozon.

Sinopse: nessa comédia, ambientada em abril de 1974, dois jornalistas de uma rádio suíça são enviados a Portugal para uma reportagem. Mas tudo dá errado. Quando pensam em desistir, a Kombi em que eles viajam acaba sendo carregada pela onda da História para dentro da Revolução dos Cravos (Revolução de 25 de Abril), que transformou Portugal.

Crítica: apesar da história se passar durante a Revolução dos Cravos, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, o filme pouco aborda o movimento.
A direção do longa foca mais em seus personagens e seus conflitos pessoais e profissionais. Alguns engraçados, outros caricatos e outros previsíveis.
Aliás, a trama é bem leve e superficial, e não acrescenta muito a um bom cinéfilo. Portanto, só assista se não tiver mesmo mais nada para ver no cinema.

Avaliação: ** 

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Busca Implacável 3 (Taken 3)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Ação
Duração: 109 min
Direção: Olivier Megaton
Elenco: Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen e Forest Whitaker.

Sinopse: o ex-agente do governo norte-americano Bryan Mills (Liam Neeson) tenta tornar-se um homem família, mas vê tudo ruir quando Lenore (Famke Janssen) é assassinada. Acusado de ter cometido o crime, ele entra na mira do FBI e da CIA. Desolado e caçado, ele tenta encontrar os verdadeiros culpados e proteger a única coisa que lhe resta: a filha Kim (Maggie Grace).

Crítica:

Avaliação: a conferir

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Amor, Plástico e Barulho

País: Brasil
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 86 min
Direção: Renata Pinheiro
Elenco: -

Sinopse: Shelly é uma jovem dançarina que tem o grande sonho de se tornar cantora de Brega (estilo musical popular do nordeste brasileiro). Ela entra para o show business em busca de fama e fortuna, mas inserida em um mundo onde tudo é descartável, incluindo o amor e as relações humanas, ela vai encontrar grandes dificuldades para atingir a fama. Seguindo os passos de Jaqueline, sua companheira de banda e musa inspiradora, ela pretende virar uma grande cantora de música Brega.

Crítica:

Avaliação: a conferir

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Cupcakes – Música e Fantasia (Cupcakes)

País: Israel/França
Ano: 2013
Gênero: Comédia
Duração: 90 min
Direção: Eytan Fox
Elenco: Dana Ivgy, Anat Waxman e Keren Berger.

Sinopse: um grupo de amigos, em Israel, é super fã de um grande festival de música. Na noite da competição, o grupo se reúne para ver pela TV. Dana (Dana Ivgy), que é confeiteira, faz cupcakes para os amigos. Mas ela está triste e para animá-la, um dos amigos compõe uma canção. O grupo se entusiasma e começa a articular se a música poderia competir no festival do próximo ano.

Crítica:

Avaliação: a conferir

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Invencível (Unbroken)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 137 min
Direção: Angelina Jolie
Elenco: Jack O'Connell, Domhnall Gleeson e Garrett Hedlund.

Sinopse: o drama retrata a história real do atleta olímpico Louis Zamperini, que sofre um acidente de avião e cai em pleno mar. Ele luta durante 47 dias para reencontrar a terra firme e, quando consegue, é capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

Crítica: “Invencível” é a cinebiografia de Louis “Louie” Zamperini, famoso atleta olímpico que impressionou o mundo por sua incrível velocidade na prova de 5 mil metros nas Olimpíadas de Berlim (quando quebrou um recorde) e que sobreviveu à fúria do mar, à guerra e a um carrasco japonês. Filho de imigrantes japoneses, tornou-se esportista graças ao incentivo do irmão maior que também corria, tendo partido depois para a Segunda Guerra Mundial e, então, capturado pelos japoneses.
A obra estrelada por Jack O'Connell (de “300: A Ascensão do Império” e que teve que passar por um incrível preparo físico para o papel) mostra desde as primeiras corridas de Zamperini durante a adolescência até sua incrível força de vontade e garra no decorrer da guerra, em que sofreu um acidente e passou por duras provas ao longo de 47 dias no meio do oceano.
O cuidado com as cenas em aviões e as de torturas e trabalhos forçados nos campos de concentração, com os detalhes na edição das imagens, a fotografia e a ambientação é notável, tendo em vista que o sofrimento, a emoção, a adrenalina e a angústia são bastante evidenciados e retratados de forma bem convincente.
Flashbacks mostram diversos períodos da vida de Zamperini, que justificariam seu comportamento ou atitude diante das dificuldades pelas quais vive no presente. Aliás, a guerra é o tempo presente do filme.
É uma bela obra, ainda mais se tratando de alguém com tanta resistência, perseverança e esperança. No entanto, falha na duração (bastante extensa) e, principalmente, no patriotismo exagerado pelos EUA.

Avaliação: ***

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Livre (Wild)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 115 min
Direção: Jean-Marc Vallée
Elenco: Reese Witherspoon, Gaby Hoffmann, Laura Dern, Thomas Sadoski, Michiel Huisman, W. Earl Brown, Kevin Rankin e Brian Van Holt.

Sinopse: após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição repleta de heroína, Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) decide mudar e investir em uma nova vida junto à natureza selvagem. Para tanto, ela se aventura em uma trilha de 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico.

Crítica: do mesmo diretor de "Clube de Compras Dallas" (2013), que rendeu o Oscar a Matthew McConaughey, aqui o longa trata da superação feminina, após um divórcio e a morte da mãe aos 45 anos acometida pelo câncer, justamente quando esta resolve ingressar na faculdade.
Dramático como não poderia deixar de ser, a trama é baseada na autobiografia de Cheryl Strayed, lançada em 2012, onde conta que, em 1995, aos 20 e poucos anos, fez uma caminhada de 1.800 km pela costa oeste dos Estados Unidos, da fronteira com o México até a do Canadá.
Cheryl (bem interpretada por Reese Witherspoon) anda boa parte da Pacific Crest Trail, um caminho que só pode ser trilhado a cavalo ou a pé e que corta os Estados da Califórnia, Oregon e termina em Washington (o Estado, não a capital do país). Ela atravessou desertos, cânions, cachoeiras, florestas e o frio intenso do extremo norte dos EUA. Passou também medo, dificuldades na caminhada com a mochila pesada, sapatos inapropriados e pés machucados, mas recebeu ajuda também, o que contribuiu para que ela persistisse até o fim.
Ao longo do trajeto, descobrimos por flashbacks que Cheryl estava perdida e sem saber o que fazer para enfrentar o sofrimento.
E a caminhada a salvou realmente. Pena que o filme acabe abruptamente, narrando bem resumidamente o que acontece a ela depois.

Avaliação: ***

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sábado, 17 de janeiro de 2015

Era uma Vez em Nova York (The Immigrant)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 94 min
Direção: James Gray
Elenco: Marion Cotillard, Joaquin Phoenix, Jeremy Renner, Dagmara Dominczyk, Angela Sarafyan e Antoni Corone.

Sinopse: em 1921, as irmãs polonesas Magda (Angela Sarafyan) e Ewa Cybulski (Marion Cotillard) partem em direção a Nova Iorque, em busca de uma vida melhor. Mas, assim que chegam, Magda fica doente e Ewa, sem ter a quem recorrer, acaba nas mãos do cafetão Bruno (Joaquin Phoenix), que a explora em uma rede de prostituição. A chegada de Orlando (Jeremy Renner), mágico e primo de Bruno, mostra um novo amor e um novo caminho para Ewa, mas o ciúme do cafetão acaba provocando uma tragédia.

Crítica: James Gray é considerado um dos cineastas mais promissores da atualidade e, por isso mesmo, as expectativas sobre seu trabalho são sempre aumentadas.
“Era uma Vez em Nova York” é um melodrama que retrata a típica história do imigrante em busca do sonho americano que se depara com uma realidade inesperada, resultando em uma vida bastante sofrida.
A história acompanha Ewa Cybulski (Marion Cotillard, bem em cena), uma polonesa que, em 1921, deixa o país-natal rumo a Nova York em busca de uma vida melhor. Logo na imigração, enfrenta um grande problema: é separada da irmã, Magda (Angela Sarafyan), que enfrenta problemas de saúde. Ameaçada de ser deportada, ela consegue escapar graças à ajuda de Bruno (Joaquin Phoenix), sem saber que, na verdade, ele é um cafetão e deseja ganhar dinheiro às custas da prostituição de Ewa.
Joaquin Phoenix, como o cafetão que se apaixona por sua prostituta, convence em cena, sobretudo quando das suas explosões de raiva. Aliás, já é o quarto filme em que atua com o diretor.
O cenário e o figurino são perfeitos e recriam fielmente os anos 20.
No entanto, a trama peca pela obviedade, quando anuncia um triângulo amoroso entre Ewa, Bruno e Orlando (Jeremy Renner), mágico e primo do cafetão. Se por um lado Bruno é passional e representa o que há de pior no capitalismo selvagem americano, Orlando é a esperança de um mundo melhor. O conflito esperado entre eles que poderia atingir o clímax da história, arrasta-se lentamente e sem muitas emoções.
As atuações são ótimas, mas faltou na narrativa mais dinamismo que fosse capaz de envolver completamente o espectador. Afinal, é isso que o público espera.

Avaliação: ***

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Se Fazendo de Morto (Je Fais le Mort)

País: França
Ano: 2014
Gênero: Comédia
Duração: 104 min
Direção: Jean-Paul Salomé
Elenco: François Damiens, Géraldine Nakache e Lucien Jean-Baptiste.

Sinopse: Jean ganhou o prêmio César de melhor revelação em 1987, mas questões de ego o levaram a escolhas erradas na carreira. Aos 40 anos, ele hoje mal consegue emprego como ator. A única chance que surge é de interpretar o morto na reconstituição de um violento crime ocorrido em uma cidade ao norte da França.

Crítica: a narrativa mescla simulações de um crime ocorrido na pequena cidade de Megève com investigações policiais de verdade.
Um ator fracassado em meio a tudo isso acaba por descobrir fatos que mudarão o curso da história. Quem o ajudará é uma juíza criminal.
Na trama, críticas à sociedade francesa e texto repleto de humor – aspectos bem comuns na cinematografia do país. François Damiens (ator belga) faz bem esses papeis humorísticos.
Criativo e engraçadinho, o filme é mais voltado para o entretenimento mesmo.

Avaliação: ***

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Bem-Vindo à Nova York (Wellcome to New York)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 125 min
Direção: Abel Ferrara
Elenco: Gérard Depardieu, Jacqueline Bisset, Paul Calderon, Marie Moute, Shanyn Leigh e JD Taylor.

Sinopse: Mr. Devereaux (Gerard Depardieu) é um poderoso agente da economia mundial e a mesma gana que tem para somar dinheiro, tem para os prazeres da carne. Seu apetite sexual incontrolável o coloca frequentemente em apuros e ele vê sua carreira ruir de vez após um escândalo que vira manchete nos principais jornais do planeta. Com o apoio incondicional da esposa (Jacqueline Bisset), ele busca uma maneira de recuperar sua honra.

Crítica: Dominique Strauss-Kahn é ex-Diretor Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e alguns anos atrás, tinha grandes chances de tornar-se presidente da França. Sua vida veio abaixo quanto uma camareira de hotel o acusou de abuso sexual. DSK, como é conhecido, foi preso no aeroporto em Nova York e só conseguiu arquivar o caso pagando um acordo milionário. Mais tarde outras acusações surgiram, detalhes da sua vida vieram a público e ele tornou-se uma das mais controversas figuras da política mundial.
O filme é baseado nesses acontecimentos, tendo como protagonista o Sr. Devereaux (Gérard Depardieu). O longa demora a chegar ao ponto de partida que é o escândalo que levará o Devereaux ao declínio economicamente e politicamente, visto que sua esposa tinha planos de que ele se tornasse candidato à presidência da França.
Exagero e apelação nas cenas iniciais de sexo tornam o início cansativo em seus primeiros 20 minutos. Cenas mesmo desnecessárias, já que para o espectador entender que o protagonista era um homem viciado em sexo bastaria bem menos.
As interpretações são boas, mas nada que eleve o nível da história já comprometida na sua narrativa desinteressante. 
O longa expõe como é o mundo dos ricos e poderosos e seus valores pouco éticos. Em meio à crise causada pela prisão de Devereaux (após uma denúncia de assédio sexual e, posteriormente, outros crimes), sua esposa é quem estará ao seu lado até o fim.
Resta saber se ainda há esperança para ele, se ele quer mudar ou não.

Avaliação: **

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Minúsculos (La Vallée des Fourmis Perdues)

País: França/Bélgica
Ano: 2013
Gênero: Animação
Duração: 89 min
Direção: Thomas Szabo e Hélène Giraud
Elenco: -

Sinopse: em uma pacífica clareira, entre as sobras de um piquenique, começa uma batalha entre duas tribos de formigas em busca de uma caixa de açúcar. Uma jovem e corajosa joaninha acaba sendo capturada no meio do fogo cruzado e torna-se aliada das formigas negras, ajudando na luta contra as terríveis formigas vermelhas.

Crítica:

Avaliação: a conferir

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domingo, 11 de janeiro de 2015

Boyhood – Da Infância à Juventude (Boyhood)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 165 min
Direção: Richard Linklater
Elenco: Ellar Coltrane, Patricia Arquette e Ethan Hawke.

Sinopse: o filme conta a história de um casal de pais divorciados (Ethan Hawke e Patricia Arquette) que tenta criar seu filho Mason (Ellar Coltrane). A narrativa percorre a vida do menino durante um período de doze anos, da infância à juventude, e analisa sua relação com os pais conforme ele vai amadurecendo.

Crítica: Difícil falar do filme e não falar do seu diretor que, apesar de pouco conhecido, tem um talento inestimável. Seu trabalho mais conhecido é Escola de Rock e mesmo assim seu nome não costuma ser lembrado quando lembramos do filme. Ele dirigiu a animação “O Homem Duplo” (2006), a trilogia “Antes do Amanhecer, Antes do Pôr do Sol e Antes da Meia-Noite”, entre outros trabalhos. Mas o destaque está na sua determinação em levar adiante projetos vistos pelos outros como mirabolantes, mas que dão sempre certo. Ele tem um estilo que não se copia, uma visão única de cinema e uma capacidade incrível de deixar marcas.
Assim é com Boyhood – Da Infância à Juventude, onde conta a história de Mason, dos 6 aos 18 anos. O surpreendente aqui é que ele usa os mesmos atores para gravar o filme nesse intervalo de 12 anos. O elenco principal de Boyhood se encontrava com Linklater alguns meses por ano para que pudessem gravar o filme e o diretor ia escrevendo o filme com calma entre seus outros projetos.
Os desafios de um projeto desta magnitude são vários e a dedicação do elenco é fundamental para o resultado final. Ethan Hawke (velho amigo de Linklater) e Patricia Arquette fazem um ótimo papel como os pais de Mason e Samantha, os jovens que são interpretados por Lorelei Linklater e Ellar Coltrane. Coltrane é incrível no papel de um Mason introvertido e complexo.
Mas todos são carismáticos e estão muito à vontade em seus personagens. Para indicar as passagens de tempo, Linklater, sabiamente, utiliza acontecimentos importantes e músicas de cada um dos anos para indicar passagem de tempo e situar o espectador. Por exemplo, Quando Mason e Samantha discutem a Guerra do Iraque com seu pai, sabemos exatamente em que ano estamos e a trilha sonora também nos indica isto muito bem.
O grande trunfo da trama é que, embora Mason seja o protagonista e o centro das atenções, não é uma história apenas sobre ele. É sobre todos ao redor, especialmente seus pais. Vemos seu pai evoluir de um pai ausente e irresponsável para um pai dedicado com sua própria família. Vemos a luta de sua mãe para criar duas crianças solteira e seguir seus sonhos, passando por dois maridos abusivos. É sobre como cada um reage a divórcios, mudanças de cidade e de escola, sobre condutas, amizades, namoros, alcoolismo, violência, recomeço. Enfim, sobre a vida real.
Os diálogos são extremamente naturais e nem percebemos as 2h45 de filme. Uma obra-prima atemporal, com reflexões sobre a vida, para ver e rever.

Avaliação: ****

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Leviatã

País: Rússia
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 141 min
Direção: Andrey Zviaguintsev
Elenco: Alexeï Serebriakov, Elena Lyadova, Vladimir Vdovitchenkov e Roman Madianov.

Sinopse: numa península do Mar de Barents, no Ártico, um pai de família luta contra os desmandos de um prefeito corrupto. Para enfrentar o político, que tenta desalojá-lo, ele recorre a um colega de Moscou.
Crítica: como todos os filmes russos que vi até então, a história é dura, seca, objetiva e muito crítica.
A história, a princípio, começa mostrando uma família que vive numa casa simples, assim como todas da região gélida. Kolya (Alexei Sobryakov) com sua bela mulher (Elena Lyadova) e Roma (Sergey Pokhadaev), adolescente, filho do primeiro casamento dele, que trata mal sua madrasta.
Kolya entra em cena com o amigo e advogado Dmitri (Vladimir Vdovitchenkov) que tentará ajudá-lo no processo em que o prefeito da cidade, Vadim (Roman Madyanov) quer expropriar as terras de Kolya, berço de seus antepassados, para construção de um grande empreendimento.
Com o retrato de Putin na parede e bandeiras da Rússia no seu acanhado escritório, o prefeito se reúne com seus subordinados e aliados e planeja o golpe. Com o apoio de cúmplices do governo, dará um outro destino à terra que Kolya venera.
Mal sabe o russo o que virá pela frente. Em cenário cinza e sombrio, o espectador fica esperando o pior. Litros de vodca tentam anestesiar as dores dos protagonistas.
Um roteiro inteligente que, durante o desenrolar da história, dá margem a várias hipóteses para os acontecimentos, aumentando mais ainda o clima de suspense.
O progresso para os russos vem acompanhado de suborno, corrupção, assassinatos, saques perpetrados por uma justiça vendida, completa falta de ética ou qualquer valor moral, uma igreja conivente com o dinheiro sujo e muita, muita hipocrisia da sociedade. Tudo em nome do maldito “dinheiro”. O filme não poupa nada.
As atuações são ótimas, os momentos que retratam os personagens (inclusive os coadjuvantes e secundários) são bastante naturais e a fotografia, esplêndida.
O longa venceu o Prêmio de Melhor Roteiro de 2014 em Cannes. Merecedor, de fato!

Avaliação: ****

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Êxodo: Deuses e Reis (Exodus: Gods And Kings)

País: EUA/Reino Unido
Ano: 2014
Gênero: Épico, ação
Duração: 151 min
Direção: Ridley Scott
Elenco: Christian Bale, Joel Edgerton, John Turturro e Aaron Paul.

Sinopse: Exodus é uma adaptação da história bíblica do Êxodo, segundo livro do Antigo Testamento. O filme narra a vida do profeta Moisés (Christian Bale), nascido entre os hebreus na época em que o faraó ordenava que todos os homens hebreus fossem afogados. Moisés é resgatado pela irmã do faraó e criado na família real. Quando se torna adulto, Moisés recebe ordens de Deus para ir ao Egito, na intenção de liberar os hebreus da opressão. No caminho, ele deve enfrentar a travessia do deserto e passar pelo Mar Vermelho.

Crítica: a produção é excepcional, como não poderia ser diferente, já que se trata de um trabalho de Ridley Scott.
Os extensos 151 minutos são merecedores de cada cena para retratar as passagens mais importantes do Velho Testamento. Ainda que a maioria dos fatos sejam absurdos e nada comprovado, Scott segue à risca o que está na Bíblia e consegue envolver os espectadores. As atuações são convincentes, mas o destaque mesmo é Christian Bale (como Moisés) que abraçou o personagem de verdade e é o maior motivo do filme ser bom.
Os diálogos são de fácil compreensão para qualquer público e os cenários são incrivelmente reproduzidos via recursos gráficos, com monumentos gigantescos erguidos a mando de Ramsés, e sobretudo quando mostram as 10 pragas do Egito sobre o seu Faraó.
Ateu ou não, religioso ou não, vale a pena assistir a uma obra bem produzida.

Avaliação: ***

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sábado, 10 de janeiro de 2015

Whiplash – Em Busca da Perfeição (Whiplash)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 97 min
Direção: Damien Chazelle
Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons e Paul Reiser.

Sinopse: o solitário Andrew (Miles Teller) é um jovem baterista que sonha em ser o melhor de sua geração e marcar seu nome na música americana como fez Buddy Rich, seu maior ídolo na bateria. Após chamar a atenção do reverenciado e impiedoso mestre do jazz Terence Fletcher (J.K. Simmons), Andrew entra para a orquestra principal do conservatório de Shaffer, a melhor escola de música dos Estados Unidos. Entretanto, a convivência com o abusivo maestro fará Andrew transformar seu sonho em obsessão, fazendo de tudo para chegar a um novo nível como músico, mesmo que isso coloque em risco seus relacionamentos com sua namorada e sua saúde física e mental.

Crítica: "Whiplash – Em Busca da Perfeição" traz mais do que entretenimento ao espectador. Envolve, comove, seduz e embala.
Grande vencedor do Festival de Sundance, o filme nos apresenta Andrew (Miles Teller), um estudante de bateria que busca o seu melhor, querendo se tornar um grande ídolo da percussão. Ele começa a ter aulas com o renomado professor de jazz Terrence Fletcher (J.K. Simmons), que faz com que os alunos se esforcem além de seus limites para conseguir o que querem.
O esforço de Andrew é visível e até incomoda. Sofremos com ele quando treina horas a fio, quando não dorme, quando machuca a mão tocando, quando faz de tudo para ser notado pelo professor Fletcher, quando, enfim seu aluno, é humilhado por ele.
Há uma sequência de acontecimentos ruins que desanimariam qualquer um, menos Andrew que persiste no seu sonho de se tornar um baterista famoso.
Mas até que ponto um esforço sem limites vale a pena? Você está no caminho certo ou não passa de uma obsessão? Qual é o limite de exigência que um professor pode fazer ao seu aluno? O excesso de cobrança pode atrapalhar em vez de ajudar?
Os dois atores Teller e Simmons estão tão antenados que o filme que, nem tem assim uma história tão espetacular ou mesmo original, toma o espectador por completo.
As ótimas edições, de vídeo e de som, e mixagem permitem que sejamos invadidos pela música.
E a direção e o roteiro são acertadíssimos, levantando sérias reflexões e visões sobre as decisões na vida. Tudo isso pode levar o longa a ser um forte candidato ao próximo Oscar. Que pelo menos Miles Teller receba uma indicação para o prêmio de Melhor Ator; caso contrário, será uma grande injustiça.

Avaliação: ****

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Acima das Nuvens (Clouds of Sils Maria)

País: França/Suíça
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 124 min
Direção: Olivier Assayas
Elenco: Juliette Binoche, Kristen Stewart e Chloë Grace Moretz.

Sinopse: no ponto alto de sua carreira, Maria Enders (Juliette Binoche) é convidada para se apresentar em uma nova versão da peça que a tornou famosa vinte anos atrás. Na época, Maria interpretou uma Sigrid, uma jovem sedutora que acaba levando sua chefe Helena ao suicídio. Agora, ela foi convidada para viver o papel de Helena. Maria viaja até os Alpes para ensaiar e conta com o apoio de sua assistente Valentine (Kristen Stewart). A jovem estrela de Hollywood, Jo-Ann Ellis (Chloë Grace Moretz), conhecida por se envolver em escândalos, assume o papel de Sigrid, e Maria se encontra do outro lado do espelho, face a face com uma mulher ambiguamente encantadora que é, em essência, um reflexo perturbador de si mesma.

Crítica: o diretor acerta em cheio na escolha das atrizes e no texto. A discussão é profunda e, em determinado momento, confunde-se realidade e ficção, a estilo de “Cópia Fiel” (também com Binoche) no elenco. 
O conflito entre teatro e vida se passa entre Maria Enders e Valentine. Nesse contexto, Maria avalia-se como atriz e mulher, seu desempenho profissional, o avanço da idade; e é quando dúvidas, receios e desejos afloram com maior intensidade. E tudo é muito bem conduzido num roteiro sem erros. Maria está numa fase difícil, além da preocupação com a idade: vive um divórcio e seu amigo/mentor comete suicídio.
Na verdade, o filme quer mostrar a importância de se avaliar o passado e entender o momento presente para tomar as decisões certas.
Complexo e profundo, vai agradar quem busca no cinema algo mais do que puro entretenimento. E destaque para a atuação de Kristen Stewart, que já demonstrou muita versatilidade no cinema. Já Binoche faltou convencer um pouco mais no papel de atriz famosa, elegante e poderosa.

Avaliação: ***

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A Entrevista (The Interview)

País: EUA
Ano: 2014
Gênero: Comédia
Duração: 112 min
Direção: Seth Rogen e Evan Goldberg
Elenco: James Franco, Seth Rogen e Lizzy Caplan.

Sinopse: por acidente, um famoso apresentador de um popular programa de televisão (James Franco) e seu produtor (Seth Rogen) são envolvidos em planos para assassinar o presidente da Coreia do Norte.

Críticasátira e muito tom debochado é o que não falta ao filme. Aliás, até em exagero. Há piadas sujas sobre tudo e sobre todos. O alvo, claro, é o governo ditatorial da República Popular “Democrática” da Coreia do Norte, mas também a política externa dos Estados Unidos da América, que não mede esforços para se ‘meter’ em tudo. Algumas dessas críticas são muito bem colocadas.
Tudo é surreal, começando pelo caricato Dave Skylark (Franco), apresentador do Skylark Tonight, que conta com a ajuda do produtor Aaron Rappaport (Rogen). A premissa de que o ditador coreano Kim-Jong-Um é fã do seu programa é excelente para dar partida ao filme. Dave envia um pedido de entrevista para ser transmitido em seu programa que é aceito quase de imediato, desde que com “algumas condições”.
Começa aí sua jornada rumo à Coreia do Norte, onde descobrirá muita coisa sobre o país e seu hipócrita ditador. Bastante confusão, trapalhada e besteirol.
Mas, pelo menos, “A Entrevista” passa a mensagem que queria passar, de forma despojada e engraçada. O ditador coreano não deveria ter perdido seu tempo tentando proibir a veiculação de um filme tão inofensivo.

Avaliação: **

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Ida

País: Polônia/Dinamarca
Ano: 2013
Gênero: Drama
Duração: 80 min
Direção: Pawel Pawlikowski
Elenco: Agata Kulesza, Agata Trzebuchowska e Halina Skocznska.

Sinopse: a jovem noviça Anna (Agata Trzebuchowska) está pronta para prestar seus votos e se tornar freira, só que antes disso, por insistência da Madre Superiora (Halina Skoczynska), vai visitar a única familiar restante: tia Wanda (Agata Kulesza), uma mulher cínica e mundana, defensora do Partido Comunista, que revela segredos sobre o seu passado. O nome real de Anna é Ida, e sua família era judia, capturada e morta pelos nazistas. Após essa revelação, as duas resolvem partir em uma jornada de autoconhecimento, para descobrir o real desfecho da história da família e onde cada uma delas pertence na sociedade.

Crítica: o filme todo filmado em preto e branco é o escolhido como representante da Polônia na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2015.
Ida apela a uma profunda reflexão sobre religiões, família, passado e presente, e, principalmente, que implicações pode ter esse passado nas decisões futuras. Por mais que a trama foque em uma espécie de reencontro com o passado, o grande objeto da narrativa é a jornada de uma jovem que inicia a vida adulta e é obrigada a conviver com erros e decepções.
Tudo acontece na Polónia dos anos 60, onde Anna é uma noviça, prestes a celebrar os votos definitivos para se tornar freira no convento onde vive desde que ficou órfã em criança. Contudo, antes da celebração, a madre obriga-a a conhecer a única familiar viva, a tia Wanda. Juntas, as duas mulheres embarcam numa viagem à descoberta de si próprias e do passado que têm em comum.
Ida surpreende-nos pela sua abordagem forte, mas sem juízos de valor. Tal como Anna, saímos da essência da religião católica para conhecer o seu passado, as suas origens e a tragédia em redor da sua família. Anna descobre um mundo novo, a sua nova realidade, o seu verdadeiro eu. Afinal, a identidade religiosa de cada um pode viver independente do passado e na ausência da experiência ou constrói-se à medida que cada um cresce enquanto pessoa, conhecendo-se primeiro a si e ao mundo? A reflexão fica lançada para o lado do espectador, mas cabe à jovem protagonista tomar as decisões.
Ao conhecer Wanda, Anna fica exposta a uma realidade que desconhece. A tia é o oposto da sobrinha. Uma mulher magoada, de vida vulgar, que introduz, inevitavelmente, Anna às tentações do mundo. A inocência e pureza guardadas tantos anos num convento são agora postas à prova com a convivência entre estas duas mulheres tão diferentes mas de personalidade definida.
Ao passarem alguns dias juntas, elas se conhecem melhor. Ambas trazem novos pontos de vista, novas experiências, ambas lutam por dar dignidade aos familiares mortos. Os opostos atraem-se também nas relações familiares, ao que aqui parece. Crentes em diferentes religiões, tia e sobrinha são um desafio mútuo. Wanda, juíza de profissão, assume uma função quase divina, já que tem (ou teve) o poder de decidir o destino de muitos, inclusive, condenando à morte. Anna, por seu lado, ingénua e submissa, é um desafio para uma mulher aguerrida como Wanda. Cada uma delas é para a outra a personificação daquilo em que não acreditam ou defendem. As duas mulheres trazem reciprocamente mudanças fundamentais, para o melhor e para o pior.
Personagens complexos, cenas belas e muito para responder. Qual decisão tomar na vida? Eis a questão.
O diretor mergulha por entre as sequelas do nazismo, por entre os dilemas da religião, na experiência e no conhecimento da vida. Pawel Pawlikowski baseou-se em sua própria história para o filme. Sua mãe era católica, seu pai era judeu, e mais tarde ela descobriu que sua avó tinha morrido em Auschwitz.

Avaliação: ****


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Karen Chora no Ônibus (Karen Llora en un Bus)

País: Colômbia
Ano: 2011
Gênero: Drama
Duração: 98 min
Direção: Gabriel Rojas Vera
Elenco: Ángela Carrizosa Aparicio, Juan Manuel Diaz e María Angélica Sánchez.

Sinopse: Karen (Angela Carrizosa) descobre, após dez anos de casamento, que ela havia abandonado seus sonhos para se dedicar aos afazeres domésticos e agora percebe que isso foi um erro que custou sua juventude. Ela decide, então, se separar e sai à procura de uma vida própria. Com suas economias, ela aluga um quarto no centro de Bogotá e tenta conseguir um emprego, mas sua idade e sua inexperiência tornam isso muito difícil. Karen terá de decidir entre voltar para a estabilidade de um relacionamento ou enfrentar a vida sozinha.

Crítica: um filme que está muito além do que se espera. A história simples ganha força com a protagonista Karen (interpretada pela excelente Ángela Carrizosa Aparicio) que conduz o espectador juntamente com seu sofrimento, desespero, dificuldades, medo, angústia, dúvidas, humilhação e, por fim, esperança de que algum dia uma porta se abre.
Karen luta contra tudo para provar que pode ser alguém, que pode sozinha pagar suas contas, que tem opiniões, que é inteligente e que pode, sim, desejar algo melhor para si.
Uma história de superação e de reconstrução da própria vida com a qual muitas mulheres se identificarão. E a direção sensível soube bem explorar cada detalhe nas situações vividas pela protagonista.

Avaliação: ****

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Uma Longa Viagem (The Railway Man)

País: Austrália/Inglaterra
Ano: 2014
Gênero: Drama
Duração: 117 min
Direção: Jonathan Teplitzky
Elenco: Colin Firth, Nicole Kidman, Jeremy Irvine e Stellan Skarsgård.

Sinopse: desde a sua juventude, Eric Lomax foi obcecado por trens. Ironicamente, ele foi capturado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e enviado à Tailândia para trabalhar no famoso trem Burma-Sião, o projeto tirânico que acabou com a vida de 250 mil homens. Neste local ele construiu um rádio para trazer notícias da guerra e secretamente desenhou um mapa dos trilhos. Por esta razão, Lomax foi brutalmente e incessantemente torturado e interrogado. Quem presenciou estas ações foi Nagase Takashi, um jovem soldado japonês que traduzia as questões do sequestrador e as respostas de Lomax. Cinquenta anos mais tarde, Lomax busca este homem e o encontra próximo à Ponte do Rio Kwai. Qual será seu objetivo? Vingança ou reconciliação?

Crítica: o filme é baseado na história real do soldado Eric Lomax, uma adaptação da autobiografia best-seller de mesmo nome.
Eric Lomax (Colin Firth) está numa viagem de trem quando conhece Patti (Nicole Kidman). Os dois rapidamente se envolvem e se casam. Mas, logo nos primeiros momentos, Eric começa a mudar o seu comportamento e passa a ter pesadelos horríveis com frequência. Patti procura, então, ajuda de um grupo de amigos liderado por Finlay (Stellan Skarsgård).
Nesse encontro, ela descobre que Eric foi um soldado britânico prisioneiro de guerra, que os japoneses capturaram Eric e seu grupo para a construção de uma ferrovia, onde foram escravizados, humilhados, espancados e torturados. Eric teria sofrido as piores punições, pois foi considerado o líder do grupo, pego de surpresa ao ser pego com um rádio improvisado e espancado quase até a morte. Seu principal torturador era Nagase que, ao ser apanhado pelo exército dos aliados, fingiu ser apenas um tradutor para escapar das punições. Assim é a primeira parte do longa.
Para acabar com seus traumas e incentivado por Finley e por sua esposa, Eric decide rastrear Nagase e vai atrás dele para se vingar. Eric o ameaça de morte, o tortura e o interroga sobre tudo o que aconteceu no mesmo lugar onde tinha sido torturado anos antes. O resultado desse encontro é imprevisível, pois não se sabe se Eric matará seu torturador ou o perdoará. O filme então sinaliza um acerto de contas, que por mais doloroso que seja, se torna necessário tanto para a vítima quanto para torturador, que assombrado pelo passado carrega em igual proporção a dor de ter sido o responsável por muitas mortes. Os dois se tornariam amigos – Nagase morreu em 2011 e Eric um ano depois, aos 93 anos, ao lado de Patti.
Colin Firth e Nicole Kidman se esforçam, assim como Stellan Skarsgård, para segurar o filme, mas o ritmo é problemático e a trama avança pouco. Outro fator que não colaborou para uma trama mais envolvente (apesar de forte e dramática) é a escolha de Jeremy Irvine para interpretar Eric na juventude. O rapaz não foi convincente em passar a emoção necessária a um personagem que se tornaria torturado pelas lembranças e pela dor.
De qualquer forma, o desfecho é belo.

Avaliação: ***

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