domingo, 21 de maio de 2017

Nojoon, 10 anos, divorciada (Ana Nojoom Bent Alasherah Wamotalagah)

País: Iêmen
Ano: 2016
Gênero: Drama
Duração: 96 min
Direção: Khadija al-Salami
Elenco: Reham Mohammed

Sinopse: aos dez anos de idade, Nojoom é entregue por seu pai a um homem adulto, para se casar contra a sua vontade. O marido passa a agredi-la e estuprá-la com frequência. A garota surpreende ao fazer o pedido de divórcio, mas nenhuma lei no Iêmen proíbe o casamento infantil, e os costumes locais permitem que o marido disponha do seu corpo da esposa como quiser. Assim, os tribunais locais se encontram num dilema religioso e moral. 

Crítica: o filme retrata uma história ocorrida em 2008 no Iêmen, com Nujood Ali, uma menina de dez anos que se tornou a mais jovem divorciada do mundo. Auxiliada pela jornalista francesa Delphine Minoui, a jovem levou sua experiência para a literatura e a cineasta Khadija al-Salami decidiu adaptar a narrativa para o cinema.
Sem dúvida, uma denúncia que precisa ser feita, no entanto a narrativa televisiva escolhida pela diretora empobrece esse drama real. O título do longa, em si, já não ajuda, afinal já conta praticamente toda a história.
A partir do momento em que ouvimos ela ter acesso ao juiz e declarar: "Eu quero me divorciar", acompanhamos em flashback momentos de sua infância até a realização do seu casamento com um homem de 30 anos. O pai a concede ao homem em troca de pagamento de aluguel em uma pequeníssima casa em Sanaa (capital do Iêmen).
Por motivos de “honra” ele deixa o vilarejo onde vivem para tentar a vida na cidade grande.
Depois, o filme retoma à sessão diante do juiz, com pai e marido presentes, e mais revelações são feitas. O casamento de meninas com 9-10 anos é incrivelmente comum no país e arraigado a costumes e crenças religiosos, que todos se justificam.
A crítica é forte, mas o longa perde-se com péssimas atuações e com a criação de situações que nos parecem pouco reais na sociedade machista iemenita: a amizade forte de Nojoom com seu irmão, relação amorosa com o seu pai e ajuda extremamente benévola do juiz. Tudo é facilitado no drama, que contribui para a perda da veracidade da história. Em um determinado momento, parece-se quase justificar a “venda” da filha pelo pai que diz ter passado por todo tipo de desgraça. Não se compara o que ele passou (à procura de trabalho) com os estupros, os espancamentos, a violência e a escravidão (a sogra mandava ela fazer todo tipo de trabalho em casa e na roça, durante o dia inteiro) a que Nojoon foi sujeitada. Ela, sim, perdeu sua infância ao ser negociada como um objeto, tendo simplesmente sido levada para longe e abandonada pela família.
Nojoon não tinha ideia do que era um casamento e não há como não ficarmos chocados com tamanha e estúpida brutalidade.
Por essa simples razão, o filme – ainda que de péssima qualidade cinematográfica – é válido. Precisamos para de fingir que tragédias assim não existem. O mundo precisa abrir os olhos e interferir, sim. Além do Iêmen, cerca de 50 países muçulmanos cometem as mesmas atrocidades usando a religião como desculpa para cometer pedofilia, para impor a poligamia, para denegrir o valor da mulher e manifestar todo tipo de preconceito contra o outro – seja infiel (por simplesmente não cultuar Alá), homossexual, ou do sexo feminino. Os direitos humanos, simplesmente, não são respeitados.

Avaliação: **

0 comentários:

Bilheterias Brasil - TOP 10

Seguidores

  © Blogger templates Newspaper III by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP