domingo, 19 de maio de 2013

Onda Verde (The Green Wave)


País: Irã
Ano: 2010
Gênero: Documentário
Duração: 80 min
Direção: Ali Samadi Ahadi
Elenco: -

Sinopse: ilustra os dramáticos eventos que se seguiram à reeleição do ultraconservador e populista Ahmadinejad como presidente do Irã em 2009.

Crítica: o documentário trata das eleições iranianas de 2009. Na ocasião, o candidato de oposição (Mir-Houssei Mousavi) conseguiu conquistar forte apoio popular com uma proposta de medidas reformistas e democratizantes, propondo uma espécie de transformação gradual e sem rupturas radicais com a tradição do regime islâmico. Porém, apesar do apoio e de toda mobilização, inclusive com grandes manifestações públicas, as eleições sofreram fraudes enormes, o que resultou na vitória do presidente que buscava a reeleição (Mahmoud Ahmadinejad).
Acompanhando essas primeiras manifestações, dá especial ênfase ao clima esperançoso e otimista em relação ao futuro do país, mas também segue os desdobramentos da eleição. Após a fraude, uma parcela da população decidiu iniciar protestos e passeatas contra o governo, exigindo justiça e o respeito aos mecanismos democráticos. O governo, entretanto, adotou medidas duríssimas de repressão, dando total liberdade às milícias e ao exército para prender, torturar e atacar os manifestantes e os ativistas políticos. Ao final, a violência inaudita, especialmente dos milicianos, mas praticada com total autorização do governo, atingiu seus objetivos e conseguiu reprimir os protestos e assegurar o resultado oficial das eleições.
A proposta é propiciar uma reflexão sobre as condições políticas criadas pelo atual governo iraniano, que tenta construir uma imagem democrática, porém não passa de uma verdadeira ditadura que não respeita os direitos humanos e trata seus próprios cidadãos como potenciais inimigos. Para retratar a marcha dos oposicionistas e a repressão, a obra utiliza uma forma de registro ainda pouco utilizada em documentários, qual seja, os relatos produzidos nas redes sociais (twitter e facebook) e blogs. É por meio desses textos, produzidos por manifestantes anônimos, que o filme reconstitui os fatos e tece sua narrativa. E aí entra uma produção muito eficiente: animações que dramatizam parte das histórias dos personagens, costuradas com vídeos de inúmeras câmeras de celulares dos próprios manifestantes, tendo em vista que a imprensa estrangeira foi expulsa do Irã na época.
Com isso, o diretor aproxima o espectador tanto da euforia que a expectativa de vitória gerou, quanto do trauma das 70 mortes e as 150 prisões após o resultado das eleições (muitos continuam presos e submetidos à tortura). O retrato da juventude iraniana sufocada pela tríade partido-clero-forças armadas é comovente e é impossível não se revoltar. É muita juventude e muito futuro oprimidos por um regime tão arbitrário e corrupto, o que passa longe de uma simples disputa de torcidas como houve quem opinasse, irresponsavelmente, à época. O desejo de liberdade no Irã custou muito sangue nas ruas. Não é à toa que alguns deixaram o país, como é o caso de 3 dos jovens entrevistados, sendo duas jornalistas, e de uma outra testemunha que dá sua versão dos fatos sem sequer mostrar o rosto.
O objetivo do documentário é sensibilizar a opinião pública sobre o problema enfrentado pelo povo iraniano e de que medidas urgentes precisam ser tomadas, como por exemplo, sanções internacionais contra o governo do país. Para isso, utiliza imagens fortes, uma narração apelativa, uma trilha sonora marcante e uma série de depoimentos de figuras públicas: jornalistas, ativistas conhecidos, políticos e membros de organizações supranacionais. São os depoimentos dessas pessoas que reforçam/legitimam as narrativas encontradas nos blogs e no twitter.
Nessa obra pungente, o povo, sobretudo os jovens, ganha voz e grita por liberdade.

Avaliação: ***

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